Números do Trauma-CG provam que Cruz Vermelha inflaciona gastos no hospital de João Pessoa

trocoli-juniorOs números apresentados pela direção do Hospital de Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, são a comprovação de que a Cruz Vermelha tem inflacionado os custos do Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. A constatação é do deputado Trócolli Júnior (PMDB), que acompanhou a vistoria feita pela Caravana da Saúde da Assembleia Legislativa, na semana passada.

De acordo com os dados levantados pelo parlamentar, o orçamento do Trauma de Campina Grande é de R$ 6,5 milhões para um atendimento que abrange 203 municípios paraibanos. Enquanto isso, o de João Pessoa, gerido pela Cruz Vermelha, é de R$ 13 milhões.

“O que fica mais gritante nesses dados é que o hospital de Campina Grande é 50% maior que o de João Pessoa. Como explicar o fato de uma unidade hospitalar ser muito maior e ter um gasto muito menor que a outra? Como é que um hospital que tem 50% mais tamanho gasta menos da metade que o outro? Isso só prova o que nós temos dito durante todo esse mandato: o Trauma de João Pessoa não precisa da Cruz Vermelha para ser gerenciado”, ressaltou Trócolli.

O legislador lembra que o governo do estado paga R$ 1,8 milhão para a Cruz Vermelha referente apenas a taxa de administração. Além disso, são acrescentados mais R$ 4 milhões a um orçamento que já é de R$ 8,9 milhões.

“Nós constatamos, durante a Caravana da Saúde, que o diretor do Trauma de Campina Grande, o doutor Geraldo Medeiros, gerencia de forma espetacular aquela unidade. São equipamentos sempre em funcionamento, tudo muito limpo, muito organizado e com um orçamento infinitamente inferior. Enquanto isso, aqui em João Pessoa, o Trauma tem recursos que são mais que o dobro do valor e foram constatadas várias irregularidades durante a fiscalização da Assembleia Legislativa”, informou.

 

Irregularidades no Trauma de JP

Relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) revela que há, pelo menos, dez irregularidades sérias na gestão do Trauma de João Pessoa. Entre elas a compra de materiais de uso hospitalar que nunca chegaram ao hospital. “O relatório mostra que foi feita uma compra de R$ 369 mil em material médico que nunca entrou no almoxarifado”, revelou Trócolli.

Por conta dessas falhas detectadas pelo TCE, o diretor do Trauma de João Pessoa Edvan Benevides, o secretário de saúde do estado, Waldson de Souza e o governo do estado foram responsabilizados pelos problemas, sendo que aos dois primeiros (diretor e secretário) foi imputado débito para a devolução de recursos.

Esse relatório foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e a Assembleia Legislativa da Paraíba.