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O Brasil de Renan Calheiros

RENAN – um sobrevivente à evolução da espécie política

Era uma terça-feira, 4 de dezembro de 2007, quando o alagoano que brandia o “não arredar o pé” saltou da presidência do Senado para não ter o mandato cassado por um círculo de denúncias e ver sua oligarquia ser dizimada como prenúncio do fim da velha política que atrasava o país. Renan Calheiros, então com 52 anos e cinco denúncias por quebra do decoro parlamentar, saiu pelos fundos, mas como ele mesmo descreveu: “Mais leve”. Sobrevivera.

Renan é espécie em extinção nos dias de hoje. No linguajar popular, um gato de sete (ou muitas) vidas. Engalfinhou-se em todos os governos desde a redemocratização: basta lembrar que foi artífice do voo de Fernando Collor à Presidência e depois rifou o conterrâneo na CPI de PC Farias, foi tucano de ocasião, inimigo do PT na tempestade, até se converter ao dilmismo de situação. Fato é que sempre se virou nas urnas, inclusive quando já enfraquecido cabalou votos na esteira do filho governador.

É um ás da velha política, talvez o maior veterano em atuação depois da derrocada dos colegas varridos pela Lava Jato. Também um dos que restou da casta que emporcalhou o Brasil décadas a fio.

Porque o Brasil de Renan é um Brasil sem a Lava Jato, uma terra que premia o conchavo como método de poder. É o Senado da caixa-preta que reverenciava os Sarney e protegia seu gado nos tapetes encardidos do corporativismo pilantra. Para proteger Alagoas, um dos estados mais carentes do país, porém, Renan sempre esteve distraído.

No primeiro dia de fevereiro de 2015, quiçá num lapso sem filtro, o então redivivo Renan foi eleito presidente do Senado. “Sou um homem de equipe, jogo para o time, não costumo jogar para a plateia”. Era o primeiro de muitos recados à presidente reeleita Dilma Rousseff de que seria preciso preservar a equipe da tormenta em curso. Ainda que isso custasse frear a maior força-tarefa anticorrupção já erguida no faroeste brasileiro para combater os “foras da lei”.

O tempo passou, a presidente caiu e Renan (com mais de uma dezena de inquéritos e muitos amigos de toga) sobreviveu mais uma vez.

Nesses dias estranhos, uma locomotiva carrega a todo vapor carga roubada para tentar destruir a Lava Jato. Parte dos passageiros quer salvar clientes enjaulados (e é bem paga para isso), mas outra metade embarcou porque o maquinista a convenceu de que o governo também cairia na curva — aí o coração canhoto dos “jornalistas manuelos” não resistiu.

Renan, como sempre, parece ter arrumado assento no trem. E de lá, acreditem, não arredará o pé.