João Pessoa 13/12/2018

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O DIA SEGUINTE DE RICARDO: Quando se dará o rompimento entre João e Ricardo ? – Por Júnior Gurgel

Parafraseando o líder Chinês Deng Xiaoping, “não importa a cor do gato se ele come o rato”, o governador Ricardo Coutinho conseguiu superar todas as expectativas dos mais céticos – inclusive a nossa – quanto ao tamanho e abrangência de sua liderança nas eleições de outubro último (2018). Culpar as oposições por seus erros é premiar o “socialista” pelos seus acertos consecutivos e oportunos.

Doravante, resta saber como Ricardo Coutinho administrará este seu último triunfo – tira teima – ocasião que derrotou todos que se sentiram responsáveis por suas conquistas anteriores: José Maranhão, Cássio Cunha Lima e Luciano Cartaxo. Os três, divididos, foram vencidos pelo voto – sem golpes ou rasteiras – praticando entre si o mesmo e velho estilo “clientelista” de cooptação das lideranças. Contudo, fazendo uma analogia a um quadro de guerra, destaque-se que derrotar o inimigo é uma tarefa árdua e difícil. Exigem enormes sacrifícios, engenhosidade e um pouco de sorte. No entanto, o maior desafio que vem pela frente é manter o território ocupado. Que o diga a Wehrmacht (Forças Armadas integradas por Exército, Marinha e Aeronáutica) do terceiro Reich, quando seu blitzkrieg em apenas oito semanas varreu a Europa pondo de joelhos até os ingleses, encurralados no penhasco de Dunquerque. Foram quatro anos de ocupação dos nazistas. Junho de 1940 ao mesmo mês de junho de 1944, com o desembarque das tropas aliadas na Normandia, que deu início ao fim do III Reich.

O candidato eleito com apoio de Ricardo Coutinho, engenheiro João Azevedo, pode até ter assimilado tudo – como um bom discípulo – de seu mestre. Inclusive deverá continuar aceitando seus conselhos permanentes, no tocante a convivência com o Parlamento, Poder Judiciário e Tribunal de Contas. Porém, aparenta conduta dessemelhante a partir do “víeis” ideológico doutrinário. João Azevedo vem aos poucos evidenciando seu conhecimento da realidade do Estado. Nas entrelinhas de algumas de suas poucas declarações, aparenta ter enxergado que a Paraíba não tem capacidade ou estrutura de suportar uma “trincheira de resistência” ao Governo Federal. Terá que se engajar nas mudanças radicais que serão promovidas pelo governo central, com vistas ao combate das políticas anacrônicas implementadas pelo PT ao longo dos últimos 16 anos. Este pode ser o ponto crítico, capaz de fissurar o “mezanino” de concreto que sedimentou a aliança política entre João Azevedo e Ricardo Coutinho.

O Estado é pobre, dependente e endividado. A diferença entre “a pequenina” e alguns demais da região, são seus limites prudenciais, por ter obedecido a LRF. Recebe mais de cinco bichões de transferências da União, e retorna pouco mais de 1,2, fato que torna a Paraíba deficitária, distante de conquistar a categoria “A”, nota classificatória do Tesouro Nacional para Estados e Metrópoles.

O que especula a oposição é quando se dará o rompimento entre João Azevedo e Ricardo Coutinho. Com Tarcísio Buriti e Wilson Braga, o que parecia um eterno revezamento do poder não durou seis meses. Entre Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão foram três anos. Se fosse Mariz, não teria chegado ao primeiro aniversário. Mas, José Maranhão sentia-se refém de Ronaldo, que foi o patrono da chapa que o elegeu como vice. Como será o “dia seguinte” de Ricardo Coutinho?

Até mesmo em família, fica explícito que o poder é piramidal. Quando o clã Cunha Lima esteve no domínio – em Campina Grande e no Governo do Estado – os frequentadores da casa de Ronaldo não eram os mesmos da casa de Cássio. Respeitavam-se em nome da “causa” que cingia todos. Inevitavelmente acontecerá o mesmo – a partir de janeiro 2019 – com os amigos de João Azevedo e os “talibãs” ideológicos de Ricardo Coutinho. Terão o respeito de João, mas não gozarão de sua intimidade.

Os mais sensatos – amigos de João Azevedo – buscam influenciar o governador Ricardo Coutinho a fazer um curso numa universidade no exterior – dentro de sua área – como professor da UFPB, pelo período de um ano, para não haver rupturas provocadas via seus fieis seguidores, que acreditam estarem no mesmo governo ou gestão e que o inquilino do Palácio da Redenção se limitará a assinar os decretos impostos por Ricardo Coutinho.

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O argumento vai mais além… Chamam a atenção do “socialista” para a dezena de processos na Justiça em primeira instância. Estando fora do País, dificulta um pouco o rito e a celeridade cobrada por seus adversários. De qualquer sorte, a travessia de Ricardo – seu Saara – durará 20 meses até alcançar o “Oasis” do período eleitoral (agosto de 2020). Isto, se conseguir chegar até lá ileso e evitar cair em meio a algumas “tempestades de areia”, que possam surpreendê-lo em seu longo e solitário trajeto.

Fonte: http://www.apalavraonline.com.br/colunista/junior-gurgel/

Créditos: Júnior Gurgel