'O futebol não tem mais gênero': árbitra que 'viralizou' rebate sexismo e exalta Copa feminina

‘O futebol não tem mais gênero’: árbitra que ‘viralizou’ rebate sexismo e exalta Copa feminina

A Sputnik Brasil conversou com a árbitra Fernanda Colombo, que ficou famosa após uma brincadeira em campo que viralizou na internet. Ela falou sobre sexismo, futebol feminino, Copa América e também sobre sua experiência na Rússia.

A árbitra Fernanda Colombo hoje se dedica principalmente ao jornalismo. Também escritora, a autora do livro “Vamos jogar futebol”, voltado ao público infantil, segue apitando partidas não oficiais.

Foi em uma dessas partidas que uma atitude dela viralizou nas redes sociais do mundo inteiro. Durante um jogo não oficial no Equador, ela fingiu que puxaria um cartão para um jogador e tirou um lenço do bolso, arrancando risadas dos jogadores.

“Foi uma brincadeira que eu resolvi fazer justamente por ser um jogo festivo. Mas era para ficar somente ali no campo. O fato dela ter saído me surpreendeu muito, principalmente por ter viralizado no mundo inteiro”,  lembra Colombo.

Apesar da brincadeira, a árbitra conta que recebeu proposta indecente de um homem que a ofereceu dinheiro em troca de encontros. Ofendida, Colombo expôs o caso na internet.

“Foi terrível. A gente, como mulher, se sente menosprezada em receber isso. Mas é um alerta para gente de que isso acontece no mundo. Esse é o mundo real”, lamenta.

“As mulheres precisam de apoio”

Colombo faz parte de um movimento crescente de participação feminina no futebol. Além da arbitragem e do jornalismo, as mulheres são cada vez mais importantes e conhecidas dentro do universo do esporte bretão.

Um exemplo disso foi o sucesso da Copa do Mundo feminina de 2019. Realizada na França, a competição bateu diversos recordes e chamou a atenção mundial de forma inédita não só para o esporte, mas também para o sexismo que ainda existe no futebol.

Sobre a importância desta Copa, Fernanda lembrou a participação da seleção brasileira, que classificou como “muito importante”.

“Foi um passo muito importante para o futebol feminino. As jogadoras do Brasil não estavam em uma fase muito boa antes de começar a Copa, e realmente elas surpreenderam e conseguiram passar o recado: mostrar que o futebol [feminino] tem o seu valor e que as mulheres precisam de apoio”, disse a árbitra.

Durante a competição a seleção feminina atraiu o interesse de milhões de brasileiros que acompanharam o time pela televisão. A torcida rendeu apelos para mais investimento no futebol feminino, além da felicidade de ver recordes como ver Marta tornar-se a maior artilheira da história das Copas.

A jogadora da seleção brasileira, Marta, gesticula durante partida das oitavas de final da Copa do Mundo feminina contra a França. O Brasil perdeu o jogo e foi eliminado por 2x1. Marta deixa a competição como maior artilheira da história das Copas.
© AP PHOTO / FRANCISCO SECO
A jogadora da seleção brasileira, Marta, gesticula durante partida das oitavas de final da Copa do Mundo feminina contra a França. O Brasil perdeu o jogo e foi eliminado por 2×1. Marta deixa a competição como maior artilheira da história das Copas.

Fernanda também ressaltou que a competição levou a modalidade feminina do esporte a um novo patamar. Ela lembrou o sucesso inédito apontado pela FIFA e a importância da transmissão em televisão aberta no Brasil, o que pode ajudar a popularizar a prática feminina do esporte.

“O futebol não tem mais gênero. É muito bom ver as mulheres nas arquibancadas, frequentando os estádios, trabalhando na arbitragem, como jornalistas e jogadoras. Eu gosto muito de futebol, então para mim é uma realização muito grande”, disse Fernanda.

Após Copa América, futebol masculino deve focar em 2022

A árbitra também comentou a final da Copa América de futebol masculino, que teve o Brasil como campeão em final contra o Peru no domingo (7).

“Acho que o Brasil ainda tem muita coisa para melhorar, mas foi campeão. Não há discussão, o título fala por si só. Acredito que ainda tem que haver uma renovação porque 2022 está chegando e vários jogadores que estavam na Copa América não vão poder jogar”, aponta.

A juíza, porém, teceu críticas à arbitragem e a classificou como o destaque negativo, não só da final, como também da competição em geral.

Colombo ressaltou que a inclusão do VAR, ferramenta que permite à arbitragem checar lances em vídeo, ainda precisa ser aprimorada. Para ela, os árbitros da Copa América se mostraram inseguros com a ferramenta durante a competição.

Copa na Rússia foi “experiência incrível”

A Sputnik Brasil também perguntou para a árbitra brasileira sobre sua presença na Rússia durante a Copa do Mundo de 2018.

“Foi uma experiência incrível. Os brasileiros estavam muito confiantes. Eu fui assistir o jogo da final e era impressionante a quantidade de brasileiros que já haviam comprado ingresso pensando em uma final”, afirmou.

Para ela, essa confiança na seleção brasileira surpreendeu, tendo em vista que na Copa anterior o Brasil foi eliminado com uma goleada histórica.

“Depois de uma Copa de 7×1, acho que foi uma reviravolta muito grande em relação à confiança que o brasileiro tinha na seleção. E o Tite que conquistou isso”, declarou.

Fernanda também lembra com prazer de sua experiência como turista no país.

“A Rússia estava muito bem organizada. Tudo funcionava perfeitamente. O metrô, os trens que ligavam as cidades. Foi tudo perfeito, maravilhoso”, recorda a juíza brasileira, que acrescentou que recomenda às pessoas fazerem turismo aproveitando eventos esportivos.

Sputnik