João Pessoa 10/12/2018

Início » Esporte » O sonho interrompido: a Tragédia da Chapecoense

O sonho interrompido: a Tragédia da Chapecoense

A manhã do dia 29 de novembro de 2016 acordou com uma das notícias mais tristes da história do futebol mundial: às 0h59 da manhã de Brasília (21h59 locais), o avião que transportava a delegação da Chapecoense para o jogo que seria o mais importante da história do clube caía em Medellín, na Colômbia.

O time ia disputar a final da Copa Sul-Americana daquele ano contra o Atlético Nacional. O acidente impediu o sonho da final, e interrompeu a vida de 71 das 77 pessoas que estavam a bordo, entre jornalistas, jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes, convidados e demais tripulantes.

O Brasil perdeu 20 profissionais de imprensa, dentre eles o ex-jogador Mário Sérgio; 19 jogadores, nove dirigentes e 14 membros da comissão técnica, incluindo o técnico Caio Júnior.

Falta de combustível foi causa da queda

Inicialmente, um comunicado do  Aeroporto Internacional José María Córdova informou que a principal causa da queda da aeronave teria sido uma pane elétrica. Em um relatório final feito pela Aeronáutica Civil da Colômbia, a causa da queda apontada foi a falta de combustível.

Segundo o relatório, seriam necessários 11,6 mil quilos de combustíveis para completar a rota de Santa Cruz de la Sierra até Medellín. A aeronave, entretanto, tinha apenas 9,3 mil quilos. Era necessária uma escala para reabastecimento, opção não escolhida pela companhia LAMIA e pelo controle do voo.

40 minutos antes do acidente, o avião já estava em situação de emergência por falta de combustível. O controle de tráfego aéreo só teria sido informado do problema dez minutos antes do acidente, sem tempo de reação.

Os heróis que se foram 

Uma semana antes da tragédia, a Chape havia conseguido classificação histórica para a final da Copa Sul-Americana com empate em 0 a 0 contra o San Lorenzo, na Arena Condá. No último lance do jogo, Danilo, com a perna, confirmou a vaga na decisão.

O narrador Deva Pascovicci, na ocasião, gritou: “o espírito de Condá estava com você, Danilo!”. O time estava em alta, vivendo um sonho, que acabou durando pouco, apesar de ter sido declarado campeão da competição dias mais tarde. Deva e Danilo estiveram entre as vítimas fatais do acidente. A imprensa, o futebol e o mundo perderam grandes profissionais e grandes seres humanos.

Ailton Cesar Junior Alves da Silva, Ananias Elói Castro Monteiro, Arthur Brasiliano Maia, Bruno Rangel, Cléber Santana, Danilo Padilha, Dener Assunção Braz, Everton Kempes dos Santos Gonçalves, Filipe José Machado, Guilherme Gimenez de Souza, José Gildeixon Clemente de Paiva, Josimar Rosado da Silva Tavares, Lucas Gomes da Silva, Marcelo Augusto Mathias da Silva, Mateus Lucena dos Santos, Matheus Bitencourt da Silva (Matheus Biteco), Sergio Manoel Barbosa Santos, Tiago da Rocha e Willian Thiego de Jesus foram os jogadores perdidos.

Adriano Bitencourt, Anderson Donizette Lucas, Anderson Martins, Anderson Paixão, Cleberson Fernando da Silva, Eduardo de Castro Filho, Eduardo Preuss, Gilberto Thomaz, Luiz Carlos Saroli (Caio Júnior), Luiz Cunha, Luiz Felipe Grohs, Marcio Koury, Rafael Gobbato e Sérgio de Jesus faziam parte da comissão da Chape.

André Podiacki (repórter, jornal Diário Catarinense), Ari de Araújo Jr. (repórter cinematográfico, Rede Globo), Bruno Mauri da Silva (técnico, RBS TV), Devair Paschoalon (Deva Pascovicci, narrador do Fox Sports), Djalma Araújo Neto (cinegrafista, RBS TV), Douglas Dorneles (repórter esportivo, Rádio Chapecó), Edson Ebeliny (repórter esportivo, Rádio Super Condá), Fernando Doesse Schardong (narrador, Rádio Chapecó), Gelson Galiotto (narrador, Rádio Super Condá), Giovane Klein Victória (repórter, RBS TV), Guilherme Marques (repórter, Rede Globo), Guilherme van der Laars (produtor, Rede Globo), Jacir Biavatti (comentarista, RICTV, Rádio Vang FM e Rádio Momento FM), Laion Espíndola (repórter, Rede Globo), Lilacio Pereira Jr. (coordenador de transmissões externas, Fox Sports), Mário Sérgio Pontes de Paiva (comentarista e ex-jogador, Fox Sports), Paulo Júlio Clement (jornalista, Fox Sports), Renan Agnolin (repórter, RICTV e rádio Oeste Capital), Rodrigo Santana Gonçalves (repórter cinematográfico, Fox Sports) e Victorino Chermont (repórter, Fox Sports) foram os colegas que a imprensa perdeu.

Daví Barela Dávi, Decio Filho, Delfim de Pádua Peixoto Filho, Edir De Marco, Emersson Domenico, Jandir Bordignon, Mauro Bello, Mauro Stumpf, Nilson Folle Jr, Ricardo Porto e Sandro Pallaoro foram os dirigentes e convidados que foram vítimas do acidente.

Morreram ainda sete membros da tripulação: Alex Quispe, Angel Lugo, Gustavo Encina, Miguel Quiroga (piloto), Ovar Goytia, Romel Vacaflores e Sisy Arias.

Os milagres

Entre tantas mortes, alguns milagres. Seis. Seis pessoas conseguiram sobreviver a queda do avião. Seis milagres que seguiram suas vidas depois de uma tragédia tão grande. Três jogadores, um jornalista e dois membros da tripulação.

O jornalista Rafael Henzel continuou a transmitir partidas no rádio e participou de transmissões na TV. Além disso, escreveu o livro “Viva Como Se Estivesse de Partida”, contando um pouco da experiência que viveu na Colômbia.

Erwin Tumiri, mecânico boliviano da tragédia, estudou e se tornou piloto. Ximena Suarez, comissária de bordo, voltou ao seu país, a Bolívia, se recuperou e voltou a trabalhar em aeroportos, dessa vez como agente de tráfego aéreo.

O lateral Alan Ruschel teve grande recuperação e voltou a jogar já em 2017. Já o zagueiro Neto sofreu com problemas físicos após o acidente, mas manteve a perseverança e seguiu treinando no clube para voltar aos gramados.

O ex-goleiro Jakson Follmann foi um grande exemplo de superação: teve de amputar a perna direita devido ao acidente, mas seguiu sorrindo. Seguiu ligado a Chapecoense atuando como uma espécie de embaixador do clube. Todos sempre se lembrarão da tragédia, mas nunca desistirão da vida. Afinal, o dia 29 de novembro virou o dia em que nasceram de novo. Não só os jogadores, mas também o clube, que se refez e seguiu escrevendo história no futebol brasileiro e Sul-Americano.

O Gol