João Pessoa 19/03/2019

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Onyx diz que ‘não há condição’ de o governo intervir para mudar diretoria da Vale

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse nesta terça-feira (29) que “não há condição” de o governo intervir para mudar a diretoria da mineradora Vale.

Após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), na sexta-feira (25), houve o comentário de que o governo, acionista da empresa, pudesse agir para mudar a diretoria. Onyx foi questionado sobre o tema em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

“Essa é uma decisão do conselho de administração, e é evidente que nas empresas privadas, em que o governo é apenas um acionista, o papel do acionista é confiar no seu conselho de administração. Não há condição de haver qualquer grau de intervenção [do governo], até porque essa não seria uma sinalização desejável ao mercado”, afirmou o ministro.

Ele foi questionado ainda se o governo apoia a atual diretoria ou se vai convocar uma reunião para tratar do assunto. Onyx respondeu que o governo vai esperar as investigações sobre a responsabilidade do rompimento da barragem em Brumadinho.

“Temos que aguardar o andamento das investigações. Não cabe ao governo federal apoiar qualquer empresa ou diretoria que não seja da sua administração, como a Petrobras”, completou Onyx.

Para o ministro, o governo deve ter a humildade de saber que não pode interferir em tudo.

“Governo tem que ter humildade para saber que não pode tudo e prudência, especialmente em um setor econômico que é muito relevante para o nosso país. Tem que haver algo muito importante, que é equilíbrio”, disse Onyx.

Fiscalização de barragens

Além de Onyx, participaram da entrevista coletiva os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional). Eles atenderam a imprensa depois de uma reunião no Palácio do Planalto, comandada pelo presidente em exercício, Hamilton Mourão, sobre segurança de barragens.

Canuto informou que o país tem cerca de 20 mil barragens cadastradas em órgãos do governo, com diversas finalidades (barragens de mineração, de hidroelétricas, de uso industrial). Dessas, de acordo com o ministro, 3.386 são classificadas com dano potencial associado alto ou risco alto, por isso são prioridade em um trabalho de fiscalização que o governo pretende implementar.

O ministro não deu um prazo para quando a fiscalização vai ser concluída.

Vale deve desativar barragens

O ministro de Minas e Energia disse que recebeu do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a informação de que a Vale se comprometeu a desativar as barragens construídas pelo método “alteamento a montante”, como a que rompeu em Brumadinho.

Nesse tipo de construção, a barragem cresce por meio de degraus feitos com o próprio rejeito sobre o dique inicial.

O método é considerado por especialistas uma opção menos segura e mais propensa a riscos de acidentes, embora seja bastante comum.

Segundo Bento Albuquerque, das pouco mais de 200 barragens de resíduos espalhadas pelo país, 70 são deste tipo.

“A Vale informou que vai desativar, segundo o governador de Minas Gerais, as suas barragens a montante e a aquilo que não for possível desativar serão feitas barragens de contenção a fim de evitar acidentes como o ocorrido na última sexta feira”, afirmou Bento Lima

G1