João Pessoa 23/03/2019

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Operação Calvário: Gaeco encontra rastros da movimentação de altas somas em dinheiro entre os suspeitos

Os mandados de busca e apreensão cumpridos no bojo da terceira etapa da operação Calvário encontraram indícios de altas movimentações em dinheiro em espécie. As fitas trazem a marca do Banco Safra. Elas foram encontradas no endereço da servidora estadual Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro, no Costa e Silva. Vizinhos relataram ao repórter Danilo Alves, da TV Cabo Branco, que viram movimentações constantes de carros e malotes no endereço há uns 10 dias. Investigadores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), acreditam que os vestígios apontam para a movimentação intensa de dinheiro no endereço. Ela é lotada na Procuradoria Geral do Estado (PGE)

A terceira etapa da operação Calvário foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (14) e cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços de dez pessoas, todas próximas à secretária de Administração do Estado, Livânia Farias. Além dela, foram alvos o marido, Elvis Rodrigues Farias; os irmãos Haroldo Rivelino da Silva, e Haller Renut da Silva; os sobrinhos Gabriella Isabel da Silva Leite, Lucas Winnicius da Silva Leite e Carlos Pereira Leite Júnior (Koloraú Júnior), além dos servidores públicos Keydson Samuel de Sousa Santiago (dirigente do Hospital de Trauma), Maria Laura Caldas de Almeida Carneiro (da PGE) e Josildo de Almeida Carneiro (motorista). Os mandados estão sendo cumpridos em João Pessoa, em Sousa e no Estado do Rio de Janeiro.

 

 

A ação investiga a atuação de uma organização criminosa supostamente comandada por Daniel Gomes da Silva. O grupo é acusado de desviar recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados por meio da Cruz Vermelha Brasileira filial Rio Grande do Sul (CVB-RS) e do Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP) com o governo da Paraíba. As duas instituições administraram recursos públicos da ordem de R$ 1,1 bilhão entre 2011 e 2018. As duas instituições administram os hospitais de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, Metropolitano Dom José Maria Pires e o Regional de Mamanguape. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, presidente da Primeira Câmara Criminal relator do processo.

Caixa de dinheiro

A operação ocorre dias depois de o ex-assessor da Secretaria de Administração do governo da Paraíba, Leandro Nunes Azevêdo, ter dado informações sobre o suposto recebimento de propinas pagas pela Cruz Vermelha Brasileira em acerto, segundo ele, feito entre Livânia e Daniel Gomes. Ele disse ao Ministério Público que foi ao Rio de Janeiro, em agosto do ano passado, receber uma caixa de vinho recheada de dinheiro. O conteúdo entregue pela secretária de Daniel, Michelle Cardoso, continha quase R$ 900 mil, de acordo com o depoimento. O dinheiro teria sido usado para o pagamento de fornecedores de campanha, para as eleições de 2018.

Compra de imóvel

Leandro Nunes Azevevedo contou detalhes, também, sobre uma suposta compra de imóvel na cidade de Sousa pela secretária Livânia Farias. Ele mesmo teria participado do processo de compra, inclusive com a entrega de dinheiro vivo. O imóvel teria custado R$ 400 mil, pagos em duas parcelas de R$ 200 mil, sempre em dinheiro vivo.

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