João Pessoa 24/05/2019

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OPINIÃO! A condenação de Roberto Santiago e a morte do rio Jaguaribe

E o rio Jaguaribe chora. Clama, mas é sufocado pelas mãos do chamado “progresso”. Moribundo, não entende as decisões do homem. Limita-se a pequenos resfôlegos, enquanto sua fauna e flora definham a cada segundo. Isso mesmo, segundos que se vão; numa ampulheta do tempo que não retornará com boas notícias.

E o rio Jaguaribe chora. Clama, e seus agressores não escutam. Ignoram seus pedidos. Aqueles que o aterram fingem não entender. Sepultam sonhos de comunidades ribeirinhas e, utilizando artifícios diversos, “escapam” da justiça humana e “escarram” na celestial.

E o rio Jaguaribe chora. A lei enquadra o shopping e seu proprietário, de nome e sobrenome Roberto Santiago. Um milhão e duzentos mil é o valor da condenação. Nas alegações da defesa, o empresário estaria a realizar um “favor” para o curso da água. Uma “melhoria” na qualidade de vida para os que habitam no São José

E o rio Jaguaribe chora. E pouco afeito ao “progresso”, indaga, sem obter respostas, os “porquês” da vida. Das vidas que permitiram a construção de uma cidadela sobre sua área. Área de mangue. Área protegida por lei. Mas ops! O que é a lei? Para um simples rio, quase nada, pois quem arbitra a “mulher cega” empunhando uma balança é o homem, não a natureza.

Agonizante, afoga-se o pobre Jaguaribe em água lamacenta e cheiro fétido. E Roberto Santiago? Recorrerá da sentença, embora saiba que a morte do rio já foi decretada. Cabe a nós, humanos,  entendermos os  “porquês” das sucessivas licenças ambientais em favor da construção e ampliação do Manaíra Shopping.


Cabe a nós, não a vítima chamada Jaguaribe, deciframos os códigos que permitiram, há três décadas, o surgimento de uma edificação em local inapropriado. Culpado ou inocente, Roberto Santiago segue em sua Farrarri espaçosa e barulhenta a pavimentar seu império.
Um castelo de concreto que gera grandes receitas para o Estado; milhares de empregos para os plebeus, e o veneno diário despejado na língua da mãe natureza. Pobre Jaguaribe!

Eliabe Castor

PB Agora

Fotos: assessoria MPF-PB e G1PB