Opinião: Bayeux, Santa Rita e Cabedelo e o saque público nas riquezas dessas cidades

Opinião: Bayeux, Santa Rita e Cabedelo e o saque público nas riquezas dessas cidades

Melanie Daniels (Tippi Hedren) é uma bela e rica socialite que sempre vai atrás do que quer. Um dia ela conhece o advogado Mitch Brenner (Rod Taylor) em um pet shop e fica interessada nele. Após o encontro ela decide procurá-lo em sua cidade. Ela dirige por uma hora até a pacata cidade de Bodega Bay, na Califórnia, onde Mitch costuma passar os finais de semana. Entretanto, Melaine só não sabia que iria vivenciar algo assustador: milhares de pássaros se instalaram na localidade e começam a atacar as pessoas, provocando mortes e grande estrago econômico para o município.

O relato descrito é ficcional. Trata-se de uma sinopse do filme do gênero suspense, cuja assinatura da obra, intitulada “Os Pássaros”, de 1963, é assinada por ninguém menos que Alfred Hitchcock. E assim pode-se observar que existem, sim, cidades “tragadas” pelo infortúnio. E aqui não me refiro a Bodega Bay, mas a três municípios da região metropolitana de João Pessoa, cujos habitantes dessas localidades são atacados constantemente por aves de rapina, dilacerando as vísceras do serviço público ao colocá-lo como esteio para o enriquecimento ilícito.

O leitor não precisa ir até uma taróloga para saber que falo das “Três Marias” vilipendiadas por seus atuais ou ex-gestores. Essas, relegadas pela ganância vil têm nome: Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. A primeira, dona de um comércio próspero e industrial ligados ao setor cerâmico, a próxima, município portuário, sendo ele um dos mais ricos da Paraíba, a terceira, forte por sua vocação sucroalcooleira. Em suma, cidades tão longe e tão perto da riqueza e pobreza.

Riqueza desviada por agentes públicos. Pobreza como consequência de roubos, furtos, licitações viciadas e todos os artifícios à disposição das organizações criminosas que se instalaram nessas cidades há muito, havendo uma trilha de esperança para a “sangria” estancar pelo torniquete da Justiça.

Os cidadãos dessas cidades não aguentam mais seres maldosos, verdadeiros saqueadores, como o prefeito de Bayeux, Berg Lima, preso em julho do ano passado, após ser flagrado pelo Gaeco recebendo R$ 3,5 mil de um empresário, a fim do mesmo receber uma dívida da gestão passada. Aqui vale um detalhe: esse mesmo homem retornou à chefia do Executivo municipal por força de uma liminar.

Agora vamos dar um salto na terra dos canaviais. A aprazível Santa Rita. Lá, o prefeito Emerson Panta administra a cidade em regime absolutista, estando os vereadores e alguns servidores da Câmara Municipal dando guarida ao gestor, escondendo atas, destituindo a presidência do poder Legislativo a fim de colocar um daqueles para chamar de “seu”, forjando documentos. Os indícios de algo “podre” já estão lá, e as rapineiras de penas escuras sobrevoam o município indicando operações públicas fétidas e escusas.

Por último, falo da combalida Cabedelo. Cidade histórica, povo hospitaleiro, detentora de um porto mas, também, por anos refém de um senhor chamado Leto Viana, que se encontra preso com parte da organização criminosa que assaltou, por anos, os cofres públicos daquele município.

Como vemos, nossas “Três Marias” podem tomar um novo rumo, pois os últimos feitores que as administraram buscavam, na “lei de Gerson”, vantagem em tudo. 2020 virá, e uma nova chance para essa população, esse povo, esses cidadãos baterá, novamente, em suas portas. Um milheiro de tijolo, um óculos com grau defasado ou um voto comprado não vale a pena. Todos têm ciência desse “fenômeno” do toma lá, dá cá. É hora de mudar o jogo em favor do bem comum.

 

Eliabe Castor