Oposição estará aberta a diálogo com Bolsonaro, diz senador da Rede

Oposição estará aberta a diálogo com Bolsonaro, diz senador da Rede

ÉPOCA — A oposição votou, majoritariamente, contra o reajuste no Senado.

Randolfe Rodrigues — Sim, mas houve muitos setores que não tiveram, neste tema, sensibilidade com o Brasil.

ÉPOCA – O senhor tocou em um ponto que é a convergência de agenda da futura oposição com o futuro governo. O reajuste do STF é um deles.

Randolfe Rodrigues — E pode haver mais.

ÉPOCA — Quais outros?

Randolfe Rodrigues — As 70 medidas de combate à corrupção, por exemplo. Acredito que o governo precisa apoiar medidas de combate à corrupção. Tenho posição clara com relação ao futuro governo. Faço parte de um bloco de oposição, mas não faremos oposição do “quanto pior, melhor”. Nem tudo que vier do Palácio do Planalto deve ser rejeitado. Não sou dos que acreditam que acabou o estado democrático de direito com a eleição do Bolsonaro. Não votei nele, mas ele é o presidente de todos os brasileiros. Espero que ele tenha essa consciência.

ÉPOCA — Quem forma esse bloco de oposição no Senado?

Randolfe Rodrigues — Rede, PPS, PDT e PSB. Seremos oposição, mas não a do “pior, melhor”.

ÉPOCA — O único partido de oposição que terá representação no Senado a partir do ano que vem é o PT, certo?

Randolfe Rodrigues — Sim, mas não é proposital. Não é a exclusão. São partidos com identidade em achar que tem pautas que têm que ser debatidas. Não acreditamos que precisemos ser intransigentemente oposição. Não partiremos para a lógica de a partir do ano que vem partir para desestabilizar um governo eleito. Não é do meu agrado, tenho profundas e radicais divergências, mas ele [Bolsonaro] foi eleito.

ÉPOCA — Mas por que o PT não foi convidado? Ele não entra nessa lógica também?

Randolfe Rodrigues — Temos que saber como o PT pretende se pautar para o próximo período. Não pretendemos o isolamento do PT. Em muitas agendas, nós estaremos juntos com o PT. Não temos alinhamento automático com o governo nem com o PT. Acho que a contribuição que podemos [o bloco] dar ao Brasil é a superação da polarização existente, entre quem é radicalmente contrário e aqueles que amam o governo.

ÉPOCA — Esse bloco lançará candidato à Presidência do Senado?

Randolfe Rodrigues — Queremos participar da discussão, mas não temos nenhuma pretenção disso. Ninguém tem nenhuma ambição.

ÉPOCA — Os nomes do senhor e do Cid Gomes têm sido citados pela imprensa como possíveis candidatos.

Randolfe Rodrigues — Nem eu e nem ele temos essa pretensão. Queremos discutir quem será o próximo presidente.

ÉPOCA — E Tasso Jereissati?

Randolfe Rodrigues — É um ótimo nome. Simone Tebet também é um ótimo nome. Teremos uma reunião na semana que vem para discutir essas possibilidades.

ÉPOCA — O senador Renan Calheiros já os procurou?

Randolfe Rodrigues — Sim, disse que gostaria de dialogar conosco.

ÉPOCA — Na semana passada, Renan tomou uma posição de neutralidade sobre o governo Bolsonaro e um dos filhos do presidente eleito [o senador eleito Flávio Bolsonaro] não descartou um apoio à candidatura de Renan ao comando do Senado novamente. Essa aproximação dele com Bolsonaro inviabilizaria o apoio do bloco do senhor ao Renan?

Randolfe Rodrigues — Renan tem uma vasta experiência em estabelecer diálogos e aproximação e o fez em diversos governos. Ele esteve com Collor, FHC, com os petistas. É natural que ele faça esse giro. Não me parece coerente, mas quem sou eu para julgar. Estamos à disposição para falar com ele [Renan]. Mas as dificuldades [de apoio a ele] serão de outras naturezas. Queremos definir um perfil. O perfil que considero ideal é alguém que mantenha a independência do Senado e que seja consoante com o recado que veio das urnas: independência política e combatente à corrupção.

ÉPOCA— Os processos contra Renan seriam, então, um problema?

Randolfe Rodrigues — Não diria que seja um problema para quem quer que seja. Mas será um critério que adotaremos. Não quero antecipadamente excluir alguém das negociações.

(Errata: a matéria, originalmente, utilizou uma foto do também senador Cid Gomes (PDT). O erro foi corrigido às 18:20, e foi colocada uma foto do senador Randolfe Rodrigues)

Época