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Países africanos tentam nova mediação no Sudão do Sul

Os combates entre o exército e os rebeldes continuam nesta quinta-feira, 26 de dezembro de 2013, em uma região petrolífera do Sudão do Sul. Os dirigentes do Quênia e da Etiópia chegaram à capital Juba para mais uma tentativa de mediação entre as duas partes. O porta-voz do exército, Philip Aguer, reafirmou que uma ofensiva está sendo preparada contra Bentiu, a capital do estado da Unidade, a principal região produtora de petróleo do país.

As forças do presidente sul-sudanês Salva Kiir continuam enfrentando os rebeldes do ex-vice-presidente Riek Machar pelo controle de Malakal, a capital do estado produtor de petróleo do Nilo superior, onde combates têm sido registrados desde ontem.

O porta-voz do exército, Philip Aguer, reafirmou que uma ofensiva está sendo preparada contra Bentiu, a capital do estado da Unidade, a principal região produtora de petróleo do país. A cidade é controlada pelos rebeldes.

SUDÃO SULSegundo as Nações Unidas, os combates que se iniciaram em meados de dezembro já mataram milhares de pessoas e deixaram 90 mil desabrigados, dos quais 58 mil se refugiaram nas bases da organização em todo o país.

Para tentar colocar um ponto final no conflito e enfrentar a emergência humanitária, a ONU decidiu na terça-feira quase dobrar o número de capacetes azuis no país, que deve chegar a 12.500. A organização calculou na quarta-feira que precisará de 166 milhões de dólares para garantir o socorro de emergência para a população até março.

Diplomacia

Os combates nas regiões de exploração de petróleo provocaram uma pequena alta no preço do ouro negro nos mercados internacionais, apesar de o Sudão do Sul ser um exportador pouco significativo em escala mundial.

Em compensação, em escala nacional a renda do petróleo é crucial para esse jovem país, que se tornou independente há somente dois anos e meio, porque é daí que vem o grosso do seu orçamento.

No fronte diplomático, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, chegaram nesta quinta-feira a Juba para uma nova tentativa de mediação internacional junto ao presidente Salva Kiir.

Na semana os países da África Oriental, vizinhos do Sudão do Sul, já haviam tentado mediar o conflito entre as duas partes. A ONU e os Estados Unidos, padrinhos da independêndia e principal apoio internacional do país, também fizeram pressão sobre os combatentes para encerrar o conflito, mas até agora não tiveram sucesso.

Salva Kiir e Riek Machar aceitaram formalmente iniciar negociações, mas ainda não definiram uma data. Os dois homens são velhos rivais políticos, desde anos antes da independência. O primeiro acusa o segundo de tentativa de golpe de Estado. Riek Machar desmente, acusando Salva Kiir de querer eliminar seus rivais.

Em sua luta pelo poder, os dois dirigentes usam os antagonismos entre suas etnias recíprocas: os Kinka de Kiir (majoritários no país), e os Nuer de Machar.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ameaçou de sanções os responsáveis por atos de violência contra a população. Os combates acontecem em metade dos 10 estados do país.