João Pessoa 25/04/2019

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Palocci diz em delação que Lula sabia que seria alvo de fase da Lava Jato

Ex-ministro também afirmou que foi procurado pelo ex-presidente para assumir o pagamento das reformas do sítio em Atibaia (SP). Termo de depoimento faz parte de investigação sobre vazamento da 24ª fase.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é visto após prestar depoimento na sede da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo — Foto: Marcos Bizzotto/Raw Image/Estadão Conteúdo

O ex-ministro Antonio Palocci disse em delação premiada que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia antecipadamente da 24ª fase da Operação Lava Jato, na qual foi conduzido coercitivamente (quando a pessoa é levada à força para depor), em março de 2016.

O termo de depoimento da delação do ex-ministro faz parte de uma investigação sobre o vazamento dessa fase da operação.

Conforme o depoimento, Paulo Okamoto e Clara Ant, presidente e assessora do Instituto Lula, ficaram sabendo que ocorreria uma operação contra o ex-presidente, mas sem saber se seria cumprida prisão ou condução coercitiva.

Segundo Palocci, Okamoto informou que teria “feito uma limpa” na casa dele em Atiabaia (SP), assim como Clara.

O ex-ministro afirmou também que eles lamentaram o fato de que Lula não tenha feito o mesmo e que por isso foram encontrados documentos comprometedores na casa do ex-presidente e no sítio em Atibaia.

Ainda segundo Palocci, documentos importantes não foram aprendidos na sede do instituto e na casa de assessores do ex-presidente do local.

Ele disse ter tratado com Clara sobre um HD que ela tinha e no qual estavam guardados registros de todas as reuniões oficiais feitas por Lula nos dois governos.

De acordo com o ex-ministro, ela informou que o HD não foi levado pela polícia e que teve o cuidado de deixá-lo em outro lugar.

Vazamento da operação

De acordo com as investigações, a auditora da Receita Federal Rosicler Veigel, que atuava na força-tarefa da Lava Jato, disse à PF que, em fevereiro de 2016, contou ao então namorado, o jornalista Francisco José de Abreu Duarte, que uma “bomba” relacionada ao ex-presidente Lula estava prestes a “estourar”.

Ela disse que naquela ocasião tinha levado para casa cópias das decisões que teve acesso, sobre a operação em que Lula seria alvo. No entanto, negou que tenha entregue os documentos a Abreu. A auditora disse que foi ele quem retirou os documentos da bolsa, sem que ela soubesse.

O jornalista confirmou que vazou as informações sobre a operação para o dono do Blog da Cidadania. No entanto, Duarte negou que as informações tenham partido de Rosicler e invocou o direito constitucional para proteger a fonte.

O inquérito foi concluído pela Polícia Federal (PF), em 16 de janeiro. Com o indiciamento, o inquérito foi para o Ministério Público Federal (MPF) que avalia se oferece ou não denúncia à Justiça.

Em depoimento, Duarte disse que ficou com uma cópia da decisão judicial sobre Lula que estava na bolsa de Rosicler. Ele contou que precisava fazer alguma coisa a respeito e considerou que tudo vazava na Operação Lava Jato.

Por isso, conforme o depoimento, algo do “outro lado” também tinha que vazar. O jornalista afirmou que nunca se arrependeu da divulgação da decisão para o blog.

Reformas no sítio

No depoimento, Palocci disse que em 2016 o ex-presidente o chamou para um encontro no Instituto Lula e perguntou se ele poderia assumir o pagamento das reformas feitas no sítio em Atibaia.

O ex-ministrou relatou que negou por achar que a polícia descobriria e pelo fato de que não existiram grandes saques em espécie para justificar o pagamento das reformas.

Na quarta-feira (6), Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na ação que investigou as reformas na propriedade.

O que dizem os citados

A defesa de Antonio Palocci disse que ele continuará colaborando de modo amplo e irrestrito com a Justiça.

Fernando Fernandes, advogado de defesa de Paulo Okamoto afirmou que as alegações de Palocci são inverídicas. “Suas acusações não trazem consigo nenhum elemento probatório e, evidentemente, são formulações com o objetivo de obter benefícios judiciais e financeiros”, disse.

G1 tenta contato com as defesas dos citados.

Arte - 24ª fase da LAVA JATO - VALE ESTA!!! — Foto: Arte/G1Arte - 24ª fase da LAVA JATO - VALE ESTA!!! — Foto: Arte/G1

Arte – 24ª fase da LAVA JATO – VALE ESTA!!! — Foto: Arte/G1

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