Para PSTU, Ato das Diretas foi ‘fracassado’

A executiva do PSTU emitiu uma nota se manifestando sobre o comício das Diretas Já, realizado na última sexta-feira (21) em João Pessoa.

Para o partido, o ato não conseguiu reunir a classe trabalhadora, o que mostra um ‘fracasso’ do evento, que na visão do partido só visava fortalecer o nome do ex-presidente Lula (PT) como potencial candidato à Presidência da República.

Na nota, o PSTU destacou ainda o protesto contra o governador Ricardo Coutinho (PSB) por conta da contratação de Organizações Sociais para gerir a rede estadual de ensino.

Confira a nota:

Nesta sexta-feira 21de julho, aconteceu em João Pessoa o primeiro comício e o lançamento nacional da campanha pelas diretas já, promovido pela Frente Ampla Nacional Pelas Diretas Já e financiado pelo governador da Paraíba Ricardo Coutinho(PSB).

Esperava-se uma grande festa, dois palcos, vários artistas regionais, “medalhões” da política nacional como o paraibano Lindenberg Farias (PT/RJ), Gleisi Hoffmann (PT/PR), Fátima Bezerra (PT/RN), João Capiberibe (PSB/AP), Humberto Costa (PT/PE) e Roberto Requião (PMDB/PR), além de políticos estaduais, a bancada de deputados do PT, PDT e PSB, vereadores da capital alguns prefeitos, além da Frente Brasil Popular , Frente Povo Sem Medo, e as centrais sindicais CUT, NCST, CTB.

Segundo os organizadores a expectativa era de mais de 10 mil pessoas, porém o que se viu foi um pequeno evento que não chegou sequer a encher a metade do espaço da praça do Ponto de Cem Réis (local do evento), cerca de 2 mil a 3 mil militantes, se esforçavam para dar um ar de importância histórica ao ato, comparando com a histórica campanha pelas diretas já da década de 1980. Quem estava na Praça do Ponto de Cem Réis na greve geral do dia 28 de Abril, pôde ver realmente o que era uma praça lotada de trabalhadores e trabalhadoras, e fica fácil comparar e entender o fracasso da atividade.

Ao contrário do que se viu na verdadeira campanha pelas Diretas Já, com atos massivos e com uma ampla participação da classe trabalhadora, neste a classe não foi, os trabalhadores transitavam passivamente pela praça sem nem sequer receber o panfleto da atividade ou dar atenção as falas dos “medalhões”. Diferente da década de 80 ou até mesmo diferente de 15 anos atrás, a população não deposita grandes esperanças que as eleições vão mudar suas vidas.

Esta campanha que na verdade significa a antecipação da campanha eleitoral para Lula presidente, fala recorrente da maioria dos presentes, demonstra-se um grande fracasso, onde nem o próprio Lula se fez presente.

Um fato marcante do ato foi no momento da fala do governador Ricardo Coutinho, onde um grupo de jovens levantaram faixas em protesto ao processo de terceirização/privatização de 600 escolas estaduais, e a claque do governador não gostou e partiu para cima da juventude, rasgando as faixas e espancado os jovens militantes. A militância do PSB deu uma grande demonstração do tipo de democracia que eles defendem, que é a mesma forma truculenta que o governador trata os servidores públicos.

 Nós do PSTU não concordamos neste momento com a bandeira das “Diretas” porque acreditamos em outro caminho para derrotar o atual governo e as reformas. Estamos chamando “Fora Temer, Fora Todos Eles, por uma Greve Geral de 48h”. Apostamos na ação direta da classe trabalhadora para derrubar Temer e toda quadrilha do Congresso Nacional. A Greve Geral do dia 28 de abril foi reconhecida até mesmo pela grande mídia e ganhou uma dimensão histórica e internacional. Sem dúvida, o que a burguesia mais teme é a realização de uma nova Greve Geral que incendeie o país e o torne ingovernável, comprometendo desta maneira as reformas. É isso que os governos e os patrões querem evitar a qualquer custo.

Precisamos debater um projeto dos trabalhadores, independente dos patrões e dos banqueiros. Um projeto que garanta os direitos e uma vida digna para a classe trabalhadora e o povo pobre. Que enfrente banqueiros, empresários e latifundiários.

Precisamos construir na luta um governo socialista dos trabalhadores, que governe em Conselhos Populares. Um governo que suspenda o pagamento da dívida aos banqueiros; exproprie e estatize as empresas corruptas e as coloque sob controle dos trabalhadores; estatize e coloque sob controle dos trabalhadores o sistema financeiro; entre outras medidas.

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