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Parlamentar corre o risco de ter iniciado a própria destruição política

20130629162512Dez em cada dez políticos no mundo sabem que o universo em que gravitam é perigoso e que seus inimigos estão por toda a parte. Por isso mesmo, todos precisam se proteger. Para alguns, evitar a exposição pública é a melhor estratégia. É o caso do deputado estadual licenciado, Guilherme Almeida (PSC), atual ocupante da Secretaria Municipal de Agricultura de Campina Grande.

Depois de obter apenas pífios 3% na disputa pela prefeitura em 2012 e seduzido por um convite do prefeito Romero Rodrigues para ser secretário, o deputado abandonou seu mandato na casa de Epitácio Pessoa, através de uma licença temporária.

Acontece que do ponto de vista estratégico, a secretaria não lhe ofereceu nenhuma proteção, e tem lhe criado muito mais problemas do que soluções. Acostumado a tomar conselhos com o laureado marqueteiro Lucas Sales, dessa vez Guilherme não deve ter recebido orientação do seu oráculo ao deixar um parlamento estadual para agarrar-se numa frágil ?fortaleza? municipal.

O ‘isolamento’ do Legislativo o expos mais ao perigo do que o protegeu. Ficando isolado de informações valiosas para sua sobrevivência política, transformou-se num alvo fácil dos seus conspiradores.

Distante das ruas a ponto de não escutar mais o que acontece por perto, Guilherme Almeida sequer desconfia do futuro tenebroso que o aguarda. Não imagina que pior que enfrentar um exército forte é ser um alvo comum do trucidamento de dois exércitos antagônicos, representando o papel de inocente útil? em um deles.

Considerado como um inimigo do governador Ricardo Coutinho, tido como traidor pelo ex-prefeito Veneziano Vital do Rêgo e vivendo a condição de empregado do prefeito Romero Rodrigues, Guilherme não faz a menor ideia de quantos verdadeiros inimigos e falsos amigos já tramam contra ele neste momento, maquinando a sua dizimação eleitoral.

Como se sabe, a política exige atenção a tudo o que acontece nos bastidores, e a qualquer pessoa que eventualmente possa estar armando emboscadas contra você. No caso de Almeida, o deputado se voltou para dentro e não pode mais sair. Ao invés de ser mais acessível dialogando com novos e antigos aliados de círculos diferentes, preferiu se encastelar numa pequena altarquia municipal e cavar a própria cova.

Não sabe Guilherme Almeida que a mobilidade e contato social são os grandes protetores que um político tem da sanha dos seus conspiradores.

Maquiavel já ensinava que a fortaleza é sempre um erro. Mas Guilherme dormiu. Ao virar um mero auxiliar municipal, se isolou como um símbolo da fuga do poder. O deputado ficou enjaulado de qualquer tipo de ajuda e tolheu a própria liberdade. Tornou-se um alvo fácil para todos os que miram a sua cadeira na Assembléia Legislativa.

Até 2014, se encontra preso politicamente, de mãos atadas e sem poder respirar. Como na guerra e na maioria dos jogos estratégicos, o isolamento quase sempre precede a derrota e a morte.

O espaço de Guilherme no grupo Vital do Rêgo foi sepultado após o rompimento, sendo completamente dominado pela médica Tatiana Medeiros e pelo deputado Ivaldo Morais. No grupo do prefeito Romero Rodrigues, Guilherme ainda não sentiu o cheiro dos dois ‘leões vorazes’ chamados Manoel Ludgério e Bruno Cunha Lima, dispostos a devorar todos os ?votos amarelos? da rainha Borborema na ‘selva’ da disputa para deputado estadual.

Para Guilherme Almeida, resta continuar dormindo e contar os dias para a própria destruição. É o começo do fim.

Da redação com PB Agora