Pato de 5 metros volta à fachada da Fiesp em ato contra o aumento de impostos

A elevação das alíquotas do PIS/Cofins sobre combustíveis gerou uma forte onda de críticas, bancadas por entidades ligadas ao setor empresarial, que poderá provocar ainda mais desgaste ao governo Michel Temer (PMDB). “Indignada” com a decisão, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltou a instalar, na fachada da sua sede, em São Paulo, o famoso pato amarelo de cinco metros, bastante explorado durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no ano passado. Uma reação “natural”, na visão de Temer, que minimizou os impactos políticos da medida.

O pato gigante da Fiesp foi colocado na Avenida Paulista na madrugada desta sexta-feira. A entidade também colocou outro exemplar menor na sacada do prédio e distribuiu patinhos aos pedestres, pela manhã. Ainda na quinta-feira, quando o aumento do imposto foi anunciado, o presidente da instituição Paulo Skaf, que pertence ao PMDB, condenou a iniciativa. “Ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis”, diz o texto. “Chega de Pagar o Pato”, diz Skaf, no encerramento da nota.

O governo dobrou as alíquotas de PIS e Cofins da gasolina e elevou em 86% a do diesel. O resultado é que o litro da gasolina sofrerá reajuste de até R$ 0,41, e o do diesel, de R$ 0,21. No etanol, a alta poderá chegar a R$ 0,20. Com isso, o governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões até o final deste ano. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o aumento de tributos era a única saída para elevar as receitas do governo, que vêm diminuindo com a recessão. Mas, para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o crescimento das alíquotas vem em momento ruim para o setor de transportes e acarretará aumento de preços de alimentos e de todos os produtos consumidos pela população.

“Natural”
Em viagem à Mendoza, na Argentina, para a reunião da Cúpula do Mercosul, Michel Temer afirmou que “entende a reação da Fiesp” e disse que não acredita que a posição dos empresários possa ter um impacto político. “A reação deles é natural, ninguém quer tributo. Na verdade, quando todos compreenderem o motivo, que esse imposto é fundamental para incentivar o crescimento, para manter a meta fiscal, para alcançar a estabilidade do País, essa matéria logo será superada. Nós estamos dialogando, e creio que todos compreenderão”, pontuou.

O presidente acrescentou que, por enquanto, “não há previsão de aumentar outros impostos, mas haverá diálogo e observação sobre este tema”. Além disso, ressaltou que, “quando chegamos ao governo estávamos com a síndrome da CPMF, todos esperavam, achavam que nós iríamos voltar com a CPMF. Nós não o fizemos, agora, meses depois, viemos com esse aumento, que é apenas dos combustíveis”.

No dia do anúncio da medida, o peemedebista colocou que “a população brasileira iria compreender” o aumento dos impostos.

Folhapress