Pessimismo com o Brasil atinge recorde, diz pesquisa da Bloomberg

pesquisaOs investidores nunca estiveram tão pessimistas a respeito do Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (21) pela Bloomberg.

Segundo o levantamento, 51% dos investidores ouvidos estão pessimistas a respeito das políticas de Dilma Rousseff. Em janeiro de 2011, quando a presidente assumiu o governo, este índice estava em 21% (leia aqui a íntegra da reportagem em inglês).

A Bloomberg Global Poll,  unidade de pesquisas e análises financeiras da companhia de mídia, entrevistou 750 investidores a respeito das perspectivas deles para 2014.

Apenas 10% dos entrevistados acreditam que o Brasil conseguirá evitar um rebaixamento da sua nota de classificação de crédito no próximo ano.

O Brasil também foi apontado pelos investidores como um dos mercados vai oferecer uma das piores oportunidades em 2014,  em comparação com os EUA, Reino Unido, União Européia, Japão, Índia, Rússia e China.

Para 43%, a economia brasileira está se deteriorando. Apenas 10% avalian que a economia está melhorando. Outros 27% avaliaram um cenário de estabilidade.

A reportagem da Bloomberg afirma que o governo brasileiro tem se esforçado para reativar a economia, mas destaca que a inflação e o déficit orçamentário crescente tem feito corroer a confiança de investidores e dos consumidores. “Dilma vai terminar seu primeiro mandato no próximo ano com o menor ritmo de expansão do PIB em quatro anos desde 1990”, diz a agência.

A pesquisa mostra ainda que apenas 22% avaliam que o Banco Central trará a inflação de volta para a meta de 4,5% (ou abaixo) nos próximos 12 ou 18 meses; 37% acreditam que a meta só  será atingida nos próximos dois ou três anos.

As crises econômicas, como as que estão atingindo muitos países no mundo, prejudicam as capacidades cognitivas dos cidadãos que sofrem com elas, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (21) na revista médica “BMJ” que relaciona pela primeira vez a recessão com o declínio das capacidades individuais.

“Este estudo é o primeiro que demonstra que as recessões econômicas que são vividas em idades críticas da vida – no início ou em meados da vida adulta – enfraquecem as capacidades cognitivas quando se alcança uma idade avançada”, segundo o artigo de três pesquisadores europeus.

Até agora se sabia que o envolvimento do indivíduo em seu trabalho e um ambiente profissional estimulante lhe permitem armazenar “reservas cognitivas” que depois mantêm sua capacidade intelectual em forma quando chega a hora da aposentadoria.

Mas nesta pesquisa os cientistas também descobriram que se uma pessoa experimenta em sua vida adulta períodos de recessão econômica com todas as suas consequências – desemprego, queda do nível social e profissional, perda de renda e etc – sua capacidade intelectual diminui quando chega a uma idade avançada.

As pesquisas, dirigidas por Anja Leist, da Universidade de Luxemburgo, e Philipp Hessel e Mauricio Avendano, da London School of Economics (LSE), se baseiam em dados recolhidos em um grande estudo epidemiológico chamado Share realizado com 12.000 pessoas em 11 países durante os anos 2000.

Cientistas descobriram que se uma pessoa experimenta em sua vida adulta períodos de recessão econômica com todas as suas consequências – desemprego, queda do nível social e profissional, perda de renda e etc – sua capacidade intelectual diminui quando chega a uma idade avançada

Mulheres mais vulneráveis entre os 45 e 49 anos
A capacidade intelectual foi avaliada em pessoas de 50 a 74 anos utilizando testes clássicos, como enumerar o máximo possível de animais em um minuto, lembrar de uma lista de dez palavras, dizer a data ou fazer cálculos mentais.

Os resultados foram comparados com as carreiras profissionais destas pessoas, levando-se em conta as demissões, os períodos sem trabalho, as mudanças frequentes de empresa ou os períodos de recessão em seus países de residência.

Os resultados demonstram que os homens que não passaram por nenhum período de dificuldades econômicas quando tinham entre 40 e 50 anos alcançaram resultados muito melhores nos testes que os que viveram quatro ou mais períodos de crise econômica.

“Nossos resultados são a prova de que as recessões econômicas vividas durante o período vulnerável, a partir dos 40 anos, estão relacionadas com uma diminuição da função cognitiva mais adiante”, explicam os pesquisadores.

Para as mulheres, os resultados são um pouco diferentes: o período mais vulnerável começa antes, entre 25 e 34 anos, enquanto a fase mais delicada para os homens é entre os 45 e os 49 anos.

As mulheres que foram demitidas ou tiveram que trabalhar em tempo parcial entre os 25 e os 34 anos “têm capacidades cognitivas significativamente menores quando são mais velhas”, indicam os pesquisadores.

Homens mais sensíveis aos impactos quando afetados mais tardiamente
Estes resultados “sugerem que os homens são mais sensíveis aos choques macroeconômicos quando são afetados mais tarde em sua carreira profissional, enquanto nas mulheres as crises têm um efeito duradouro em suas capacidades cognitivas quando ocorrem antes”, afirmam os cientistas.

Este fato pode explicar porque as mulheres jovens têm mais problemas que os homens jovens para reativar sua carreira profissional em períodos de crise econômica.

Para os homens, perder o trabalho em uma idade avançada significa com frequência uma aposentadoria antecipada e involuntária, que fecha repentinamente as portas de um ambiente intelectualmente estimulante, conclui o estudo.

G1.COM