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Petrobras anuncia emissão nos EUA, dólar fecha a R$ 3,198

dolar-novoChris Ratcliffe / Bloomberg

RIO – O dólar comercial fechou o pregão desta segunda-feira com queda de 0,77%, cotado a R$ 3,198, menor valor desde 8 de novembro. A moeda americana caiu abaixo de R$ 3,20 durante a tarde, aprofundando a depreciação registrada desde o início dos negócios, seguindo o mercado internacional e reforçada pela notícia de uma emissão de bônus da Petrobras para recompra de US$ 2 bilhões em papéis com vencimento em 2019 e 2020. Na mínima do dia, a divisa tocou R$ 3,191. Um fluxo moderado de investimentos estrangeiros também influi na cotação – com o retorno dos investidores, a divisa americana já acumula queda de 2,5% neste ano.

A informação sobre a Petrobras ajudou a puxar a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que encerrou a sessão em estabilidade, com variação positiva de 0,05%, a 61.700 pontos. Puxada pelo setor de mineração, o Ibovespa chegou a registrar valorização de quase 1% ao longo do dia. O anúncio da emissão chegou a tirar momentaneamente as ações da estatal do vermelho, mas os papéis voltaram a recuar, seguindo a queda o petróleo no mercado internacional.

— Hoje é um dia de agenda vazia e pouca volatilidade. O dólar chegou a se apreciar, mas a emissão da Petrobras mudou a tendência — diz Jaime Ferreira Rocha Junior, diretor de câmbio da corretora Intercam. — Como a emissão terá um volume expressivo, trazendo dólares para o país, o dólar é pressionado para baixo.

No front interno, os investidores aguardam a reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, que começa amanhã e termina na quarta-feira, com anúncio da meta para a taxa Selic, referência para juros no Brasil, que deve sofrer corte de, ao menos, 0,5 ponto percentual.

“O consenso de queda da Selic começou a mudar para 0,75 ponto percentual”, diz Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modal Mais em seu boletim matinal.

Os contratos de juros futuros para janeiro de 2018 tem variação estável nesta segunda-feira, cotados a uma taxa de 11,36%, em linha com o patamar de abertura. Já para janeiro de 2019, os contratos registram queda, a 10,88%, ante cotação de abertura a 10,91%. Para janeiro de 2021, a taxa cai de 11,23% para 11,16%.

— Há um fluxo vendedor interesante no mercado, parte disso devido ao Copom. É consenso no mercado que a redução (dos juros) será de 0,5 ponto. Há quem acredite que o BC pode surpreender e cortar 0,75 ponto. Isso acaba animando mercado. As taxas de juros mais longas, para 2021 por exemplo, caem. Então há essa expectativa — aponta Alison Correia, da XP Investimentos.

Segundo Leonardo Monoli, sócio-diretor da Jive Asset Management, desde o ano passado havia condições para cortes maiores nos juros. No entanto, ele espera que o Banco Central sinalize esse tipo de movimento antes de realizá-lo de fato:

— Algumas casas já veem corte no patamar de 0,75 ponto percentual. Nossa leitura é que o BC corte 0,5 ponto percentual e, eventualmente, comunique uma aceleração no passo de redução para uma próxima reunião. Estamos com projeção de Selic no fim do ano a 10,25%.

No exterior, o dólar cai ante uma cesta de moedas e também frente a divisas de países emergentes ligados a commodities, como os pesos mexicano e chileno e a lira turca, impulsionado pelo crescimento econômico do país, que favorece a decisão pela alta de jurso no país. O Dollar Index Spot, que compara a divisa americana com dez pares, recua 0,18%.

Os mercados aguardam declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) durante esta semana. Nesta segunda-feira, o presidente da unidade de Atlanta do Fed, Dennis Lockhart, afirmou que a recuperação da crise “já terminou em grande parte” e que a entidade está próxima das metas atuais: emprego pleno e preços estáveis. Espera-se ainda, na quarta-feira, um pronunciamento de Donald Trump, que assume na Presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20, após uma campanha eleitoral em que prometeu crescimento econômico e fortalecimento do dólar, com indicações de que adotará uma política econômica inflacionária. Diante do acento, os investidores temem que o Fed eleve mais os juros do que se esperava.

MERCADO DE AÇÕES

As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras chegaram a registrar alta após o anúncio da emissão de bônus, mas passaram a cair e fecharam com queda de 0,97%, a R$ 17,32. As preferências (PN, sem direito a voto) recuaram 2,10%, a R$ 15,33.

Os papéis da estatal seguem a desvalorização do barril de petróleo no mercado internacional. A unidade do tipo Brent, referência internacional, tinha queda de 2,94%, cotada a US$ 55,42, às 16h50m. Já o tipo WTI, mais comercializado no mercado americano, recuava 2,98%, a US$ 52,38.

— A emissão de bônus teve um efeito curto no mercado. Não houve fôlego suficiente para compensar a queda do petróleo no mercado externo. Foi um movimento muito forte nas commodities lá fora. O barril do petróleo começou o dia caindo 0,5%. É algo que está preocupando bastante — avalia Correia.

No setor bancário, o dia é de desvalorização, após o Banco do Brasil revisar suas projeções, piorando os números para receitas e rentabilidade. Além disso, o BB revisou para cima a provisão de créditos duvidosos. A ação da institiução perdeu 3,77%, a R$ 27,80, e puxou para baixo seus pares: Bradesco caiu 0,46% (ON) e 0,13% (PN), e Itaú caiu 0,42% (ON) e subiu 1,21% (PN).

— A expectativa é que o Banco do Brasil apresente resultados nada animadores para o quarto trimestre do ano passado. Além da ampliação da provisão para débitos duvidosos para fazer frente ao risco da carteira de crédito, o BB vai contabilizar despesas de R$ 1,4 bilhão pertinente ao plano de aposentadoria antecipada, cuja adesão foi de 9.409 funcionários — explica João Augusto Frotta Sales, analista da Lopes Filho. — O mercado toma em conta também a vontade do governo de baixar os juros para crédito para aquecer a economia. A experiência de fazer isso por meio dos bancos públicos não teve bom resultado durante o governo Dilma.

O setor de mineração foi o destaque que impulsionou o Ibovespa. Favorecida pela alta de 1,94% do minério de ferro, a mineradora Vale puxou a alta do Ibovespa, com valorização de 2,11% das ações PN, a R$ 24,62. Já os papéis ON subiram 2,04%, a R$ 26,50. Junto, subiu a Bradespar, acionista da mineradora, com ganho de 2,82%, a R$ 15,68.

CSN ganhou 1,33%, a R$ 11,45. Usiminas avançou 0,89%, a R$ 4,51%. A companhia informou nesta segunda-feira que fez acordo com a Salus Infraestrutura Portuária para recuperar profundidade mínima do canal Piaçaguera, que dá acesso aos terminais privados da empresa e da Ultrafertil, próximos do porto de Santos.

MERCADO INTERNACIONAL

Em Nova York, os índices operam em queda. O Dow Jones perdeu 0,38% e o S&P, 0,35%, com investidores aguardando manifestações do Fed e de Trump. Já o Nasdaq subiu 0,19%.

Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,38%, em dia de desvalorização da libra esterlina ao menor patamar desde o Brexit, pressionda por comentários da primeira ministra Theresa May dando a entender que o país fará, em breve, sua saída do bloco europeu de forma abrupta. Em Frankfurt, o Dax recuou 0,30%, após a produção industrial registrar crescimento menor que o previsto. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,45%. Já em Madri, o índice Ibex 35 perdeu 0,24%.

Na Ásia, durante a madrugada na China, o banco central sugeriu desvalorização do yuan na paridade de 6,9262 do dólar e dirigentes do país acreditam que o PIB de 2016 cresceu 6,7%.

O Globo