PM do Rio atrasa pagamentos, e fornecimento de alimentos aos batalhões é interrompido

PM do Rio atrasa pagamentos, e fornecimento de alimentos aos batalhões é interrompido

polícia atraso salárioPor conta do atraso de pagamento a fornecedores, todos os batalhões da PM no estado passam por uma crise no fornecimento de alimentos. O subsecretário de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria de Segurança (Seseg), Pehkx Jones da Silveira, admitiu que a partir de sexta-feira as empresas não iriam mais fornecer insumos às unidades:

— A questão da alimentação não é só do Cfap, é da instituição. É uma coisa muito maior, há um atraso dos pagamentos que compromete as empresas fornecedoras. A partir de hoje, elas não vão mais fornecer os insumos. Estamos sendo impactados por esse processo econômico.
Nesta sexta-feira, o EXTRA revelou que, por conta da falta de alimentos no rancho, a partir de segunda-feira os recrutas do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) passarão a ser liberados ao meio-dia, e não mais às 18h — o que vai atrasar o cronograma do curso, programado para terminar antes das Olimpíadas.

A Seseg, entretanto, já admite usar os recrutas no policiamento da cidade durante os Jogos Olímpicos. A turma, de 1.400 alunos, ainda não tem previsão de formatura.

— No currículo da PM, está previsto o estágio em unidades operacionais. Além disso, o aluno que entra no Cfap já é servidor público, só não pode atuar armado. Naturalmente, eles serão empregados, atuando com bastões — disse o subsecretário.
Também por conta da falta de alimentos, a turma de 500 alunos que seria chamada para entrar no Cfap entre abril e maio será postergada.
A turma não deve se formar até o início das Olimpíadas
A turma não deve se formar até o início das Olimpíadas

A crise no Cfap vai além da falta de alimentos no rancho. O pagamento aos professores do Banco de Talentos da Secretaria de Segurança — instrutores que não fazem parte das polícias Civil ou Militar — está atrasado desde agosto de 2015. O objetivo do programa é selecionar e remunerar profissionais qualificados para atuar na área de ensino das polícias.

— Os professores que são policiais recebem uma gratificação dentro do salário. Com esses, não temos problema. Devemos R$ 60 mil aos professores contratados de fora, acadêmicos, aposentados — afirmou o subsecretário.

Ontem, o Cfap não teve aulas. Os alunos foram liberados por conta de manutenção na rede elétrica da unidade.
Procurada, a PM informou que “a Diretoria Geral de Ensino e Instrução (DGEI) está adotando medidas administrativas para solucionar os problemas momentâneos decorrentes da crise financeira que afetou o estado”. A corporação também alegou que “o Cfap continuará empenhando esforços para que as turmas iniciadas se formem no período previsto e estejam em condições de reforçar o policiamento para os Jogos Olímpicos 2016”.

A redução no expediente do Cfap foi discutida em uma reunião na manhã da última quinta-feira, com participação da cúpula da PM. No encontro, também foram debatidas outras maneiras de cortar gastos na corporação.

Extra