João Pessoa 15/12/2018

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PM expulso de casa destruída em explosão se queixa de abandono pelo Estado: ‘Foi ousadia dos traficantes’

O policial militar que foi expulso de sua casa por traficantes de drogas do Engenho do Roçado, em São Gonçalo, disse que a explosão do imóvel, ocorrida neste domingo deixando três feridos, foi uma ousadia dos traficantes. O soldado, que está há três anos na corporação, afirmou que foi abandonado pelo Estado, “que não deu uma resposta à altura, depois que um servidor que representa a segurança pública foi expulso de sua residência e agora vive pagando aluguel”.

– Foi uma ousadia por parte dos traficantes, um atentado terrorista. Colocaram dinamite dentro de uma casa que já estava vendida para outro casal, onde morou e foi criado um policial militar. A casa não pertence a mim há mais de um ano, quando tive que sair de lá depois de ser abordado por traficantes. E a minha sensação é de impotência porque eu, como policial militar, não tenho o direito de ir e vir na região onde eu morava. E ainda sofro ameaças.

O PM contou que, desde que teve que sair da casa, não teve assistência do Estado:

– Até hoje, a polícia só me deu auxílio para retirar as minhas coisas da casa, que foi tomada pelos traficantes, e ir embora. Fora isso não tive mais auxílio nenhum. Hoje, existem até alguns oficiais que estão me ajudando, mas o Estado mesmo é inerte – desabafou o militar, de 26 anos.

Ele disse que pretende ir ao local ainda nesta segunda-feira com outros policiais para uma nova perícia. Para ele, a atitude dos traficantes passou de todos os limites.

– Pessoas inocentes, que não têm nada a ver com a situação, foram feridas, os novos proprietários da casa. É que, infelizmente, esses marginais não têm limites. Se fizeram essa covardia com eles, implantar uma bomba, que, pela gravidade da situação, da explosão, tinha alto poder destrutivo, imagine do que são capazes. A Polícia Civil já esteve no local e constatou a presença de cheiro de pólvora. Não foi granada, como muitos estão relatando.

O soldado disse que se considera vítima de uma atrocidade:

– Agora estou pagando aluguel, sem auxílio nenhum do Estado. Eu acho isso uma atrocidade com um servidor. Visto uma farda que representa o estado, a segurança pública. Se esses vagabundos estão atingindo um policial militar, o que dirá um cidadão comum – destacou.

Ele contou que o clima de tensão começou no dia 12 de outubro de 2017. Foi quando quatro traficantes, um deles armado com um fuzil e os demais com pistolas, o abordaram quando chegava em casa.

– Fiquei tentando manter a calma. Me fizeram perguntas e eu disse que era morador. Deixei minha arma no carro. Por minha sorte, não revistaram. Mas depois que entrei em casa, parece que alguém desconfiou de mim e tentaram entrar pelo muro. Acionei a Polícia Militar, que veio em meu socorro. Como eles devem ter desconfiado da minha profissão com a chegada de policiais do 7º BPM e até do 12º BPM (Niterói), tive que me mudar de lá – contou.

Segundo ele, depois disso, traficantes invasores da Favela da Linha, localizada perto da região onde ficava a casa do policial, fizeram da casa dele uma boca de fumo. Eles queriam expandir seus negócios para essa área. Há cerca de três meses, a PM fez uma operação no local e entrou em confronto com criminosos. Dois deles morreram, e armas e drogas foram apreendidas. Depois do episódio, ele finalmente conseguiu um comprador para sua casa.

– Vi que eram pessoas conhecidas, uma família de evangélicos, do bem, mas sem recursos financeiros. Aceitei vender mesmo sem sinal. E olha só o que aconteceu. Encontrei os pais do casal e eles estão arrasados.

O soldado contou ainda que moradores viram, há cerca de uma semana, dois traficantes em uma motocicleta em frente à residência.

– Contaram que um deles pulou o muro carregando um objeto que pode ser uma bolsa uma mochila. Eles viram uma movimentação na casa, pois o casal estava indo fazer limpeza para poder se mudar. Devem ter achado que era eu. Aquilo que eles carregavam e que implantaram na casa foi o explosivo. Ele deve ter explodido quando algum dos novos proprietários tocou no objeto, que é muito sensível. É tudo muito complicado. O primeiro pagamento e o contrato seriam no próximo dia 10. Eles já estavam com a chave há três semanas e iam lá sempre fazer limpeza. Estavam felizes por poder morar numa casa que seria deles.

O clima na região de Engenho do Roçado é de muita apreensão.

– A gente não gosta de falar disso porque é uma novidade aterrorizante. Parece que eles observam tudo lá de cima, e estamos sendo controlados o tempo todo – comentou um morador.

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