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Polícia encontra mais dois corpos enterrados em cozinha de presídio de Boa Vista

preso-enteraradoMais dois corpos foram encontrados na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, na tarde deste sábado (7). Os corpos estavam enterrados na ala da cozinha e foram encontrados por forças de segurança que faziam buscas no local após o massacre que terminou com a morte de 31 presos na sexta-feira.

O governo do Estado de Roraima ainda não informou a identidade dos presos e nem se as vítimas foram mortas na rebelião. Os corpos serão removidos e levados para o IML para o trabalho de identificação e liberação.

Carro do IML retira corpos de presos enterrados na penitenciária

O secretário-adjunto de Justiça e Cidadania do Estado, Francisco Carlos, disse que as mortes “provavelmente ocorreram no mesmo evento [o massacre]”. Segundo ele, as buscas por mais corpos continuam.

Também neste sábado, a Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima divulgou os nomes dos 31 detentos mortos na penitenciária, a maior do Estado.

A maioria dos mortos, segundo a listagem, foi presa por tráfico de drogas (18 detentos) e roubo (12). Há ainda os que foram penalizados por homicídio (7) e estupro (3). Um preso pode cumprir pena por mais de um crime.

Quatro deles dormiam na cozinha do presídio, que está com o número de internos acima da capacidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) de Roraima, havia 1.475 presos na unidade no momento do massacre –a capacidade é para 750 detentos. Do total, mais da metade (898) é de presos provisórios, ou seja, à espera de julgamento. Outros 458 detentos estavam no regime fechado, e cem, no semiaberto.

Ontem, o secretário de Justiça do Estado, Uziel Castro, atribuiu o massacre a uma “ação de política e propaganda” do PCC (Primeiro Comando da Capital). Em entrevista ao UOL, Castro afirmou que os assassinados eram “presos comuns”, provisórios e condenados, mas sem ligação com facções criminosas.

Os dois corpos foram encontrados neste sábado após Castro informar que familiares de presos da penitenciária agrícola disseram a policiais que haveria pelo menos mais dois corpos enterrados no complexo.

A dona de casa Simone Conceição, mulher de Jaime de Conceição Pereira, detento de Monte Cristo, buscava informações sobre o preso pela manhã. “Ele não é bicho para ficar enterrado lá”, disse ela.

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  • Após a crise no complexo, o governo de Roraima pretende pedir novamente ao Ministério da Justiça a ajuda da Força Nacional de Segurança Pública. A governadora Suely Campos (PP) havia solicitado no ano passado a ajuda do governo federal para controlar rebeliões nos presídios estaduais, mas o pedido foi negado à época.
  • Uol