João Pessoa 23/03/2019

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Polícia pede apreensão de terceiro jovem suspeito de planejar massacre em Suzano

SUZANO — A Polícia Civil de São Paulo pediu nesta quinta-feira a apreensão de um adolescente de 17 anos suspeito de participar do planejamento do massacre na escola estadual Raul Brasil em Suzano (SP). Segundo o delegado-geral, Ruy Ferraz Fontes, a polícia espera uma decisão do Juízo da Infância e da Juventude a qualquer momento.

— Existe outra pessoa que teria participado do planejamento mas não podemos dar mais informações — disse Fontes.

Fontes explicou apenas que a atuação dele teria sido no planejamento da ação. Ele não esteve na cena do crime nesta quarta-feira.

O menor tem 17 anos, foi aluno da Raul Brasil e colega de classe de Guilherme Taucci Monteiro, um dos atiradores ao lado de Luiz Henrique de Castro. Ele já foi ouvido pela polícia.

O delegado-geral apontou Guilherme como o líder do grupo que premeditou o atentado. Ele disse que a polícia tem, por enquanto, indícios de que o massacre vinha sendo arquitetado desde novembro passado.

Horas antes, em depoimento à polícia de Suzano, Éder Alves, dono do estacionamento onde os atiradores guardavam o carro usado no crime, disse que, por vezes, os dois chegavam ao local juntamente com outro jovem.  Segundo Alves, Guilherme e Luiz Henrique iam ao local acompanhados desse raapz e pediam para deixarem o carro estacionado na vaga mais ao fundo, distante da visão da guarita do estacionamento e da rua.

— Eles me pediram para deixar o carro parado lá. Eu conhecia o Guilherme, porque ele já tinha ido várias vezes ao estacionamento quando trabalhava na locadora do tio, o Jorge. Eles deixavam carros estacionados com a gente às vezes – disse Eder, ao sair de depoimento na delegacia de Suzano.

Com base no depoimento de Eder Alves, dono de um estacionamento onde os dois jovens que fizeram o ataque a escola em Suzano costumavam parar o carro, a polícia suspeita do envolvimento de um terceiro jovem na ação.
Com base no depoimento de Eder Alves, dono de um estacionamento onde os dois jovens que fizeram o ataque a escola em Suzano costumavam parar o carro, a polícia suspeita do envolvimento de um terceiro jovem na ação.

Segundo o proprietário do estacionamento, os garotos chegaram pela primeira vez com o carro, um Ônix branco, no dia 21 de fevereiro. Até o dia 25, entraram e saíram algumas vezes com o veículo e acompanhados desse terceiro rapaz. Seria um rapaz  jovem como eles, alto e magro, segundo Eder, que não soube confirmar se ele também era aluno da escola.

— Eram sempre educados, e pagavam em dinheiro. O mais velho não sabia dirigir direito. Uma vez me ofereci para manobrar o carro e ajudar, mas não me deixaram – diz Eder.

O dono do estacionhamento diz que nunca entrou no carro. A chave não ficava no local. Do dia 25 ao dia 7 deste mês, os adolescentes deixaram o carro estacionado ali.

Nesse período, Guilherme e Luiz Henrique iam ao estacionamento na maioria das vezes à tarde, sem o terceiro  rapaz. Ficavam até a madrugada dentro do carro.

— O vigia até estranhou no começo, mas eu já conhecia o Guilherme antes, então peguei confiança, ele sempre estava lá, não despertava suspeita.  Eles perguntaram se tinha problema ficar ali, na vaga mais perto da parede. Era a de menor visibilidade da frente, ficava perto da parede. Chegavam  com mochilas e uma vez com uma sacola.

Segundo Eder, eles nunca disseram ou fizeram nada que provocasse desconfiança. Tiraram o carro do estacionamento no dia 7, menos de uma semana antes do ataque. Pagaram R$ 300. Eder ainda perguntou se eles voltariam e precisariam do estacionamento mais uma vez, e eles responderam que não. O estacionamento fica a duas quadras da escola Raul Brasil.

IMAGENS FORTES: O vídeo mostra vários alunos conversando no hall do colégio, em frente ao que parece uma secretaria. Um dos atiradores entra pelo portão com um caderno nas mãos, vira de costas para o grupo, joga o caderno no chão, saca a arma e começa a efetuar os disparos. Três pessoas caem — dois alunos à frente e uma das funcionárias no corredor, ao fundo —, enquanto os demais conseguem fugir.
IMAGENS FORTES: O vídeo mostra vários alunos conversando no hall do colégio, em frente ao que parece uma secretaria. Um dos atiradores entra pelo portão com um caderno nas mãos, vira de costas para o grupo, joga o caderno no chão, saca a arma e começa a efetuar os disparos. Três pessoas caem — dois alunos à frente e uma das funcionárias no corredor, ao fundo —, enquanto os demais conseguem fugir.

G1-Globo