Polícia realiza operação em condomínios do ‘Minha casa, minha vida’

policia operação minaha casaA Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE) realiza uma operação nesta sexta-feira para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em 39 condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida” – onde vivem cerca de 30 mil pessoas, segundo a Secretaria de Segurança Pública – e em 11 estabelecimentos comerciais na Zona Oeste do Rio. A “Operação Alfa”, como foi chamada, foi deflagrada a partir de uma investigação da Draco/IE em que foi identificada a atuação de integrantes de uma milícia nesses locais. A operação conta com o apoio da Polícia Civil, do Ministério Público Estadual e da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) da Corregedoria da Polícia Militar. Segundo a secretaria, cerca de 350 policiais participam da operação. Até agora, quatro pessoas já foram presas – três em flagrante.

Secretário de segurança José Mariano Beltrame se reuniu com policiais antes da operação
Secretário de segurança José Mariano Beltrame se reuniu com policiais antes da operação Foto: Divulgação / Draco
Policiais revistam carro em Santa Cruz
Policiais revistam carro em Santa Cruz Foto: Divulgação / Draco

Os mandados de busca, expedidos pela 2ª Vara Criminal do Foro Regional de Santa Cruz, estão sendo cumpridos nos bairros de Santa Cruz, Paciência, Sepetiba, Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Senador Camará, Realengo e Santíssimo. Segundo a Seseg, muitas são as práticas criminosas exercidas pela quadrilha, como a cobrança de taxas por serviços clandestinos de segurança, a imposição da compra de cestas básicas por valores acima do mercado, agiotagem, exploração da distribuição ilícita de sinal de TV a cabo e internet, jogos de azar, prestação de serviços de transporte coletivo alternativo clandestino e venda ilegal de botijões de gás.

Dono de estacionamento onde foi encontrado carro clonado é preso em flagrante em Santa Cruz
Dono de estacionamento onde foi encontrado carro clonado é preso em flagrante em Santa Cruz Foto: Divulgação / Draco
Policiais apreendem réplicas de pistolas dentro de um carro em Santa Cruz
Policiais apreendem réplicas de pistolas dentro de um carro em Santa Cruz Foto: Divulgação / Draco
Policial corta sinal de TV a cabo clandestina
Policial corta sinal de TV a cabo clandestina Foto: Draco

Série de reportagens “Minha casa, minha sina” denunciou a ação de grupos criminosos nesses condomínios

Em março deste ano, o EXTRA publicou a série de reportagens “Minha casa, minha sina”, revelando que todos os condomínios do “Minha casa, minha vida” destinados às famílias mais pobres — a chamada faixa 1 de financiamento — no município do Rio são alvo da ação de grupos criminosos. Após três meses de apuração, foi constatado que, nos 64 conjuntos já construídos pelo programa federal, as 18.834 famílias beneficiadas são submetidas a situações como expulsões, reuniões de condomínio feitas por bandidos, bocas de fumo em apartamentos, interferência do tráfico no sorteio dos novos moradores, espancamentos e homicídios.

Agentes da Draco realizaram operação na manhã desta sexta-feira
Agentes da Draco realizaram operação na manhã desta sexta-feira Foto: Fabiano Rocha / EXTRA

Na ocasião, o secretário de Segurança José Mariano Beltrame informou que soube da invasão ao condomínio através de um ofício da Polícia Federal, que comunicou a presença de “pessoas armadas impedindo o acesso dos moradores”. O documento foi remetido à 39ª DP, que abriu um inquérito no início de março para apurar o caso. A Secretaria estadual de Segurança, porém, informou que só a Polícia Civil iria se manifestar sobre o ocorrido.

Por nota, a Civil confirmou que havia inquéritos abertos sobre a presença do tráfico de drogas “em alguns empreendimentos do ‘Minha casa, minha vida’”, acrescentando que as investigações estavam em andamento e corriam sob sigilo. Convidado a se manifestar sobre a situação das 80 famílias expulsas pelo tráfico, o Ministério das Cidades avisou que não se pronunciaria, por se tratar de “caso de segurança pública”. Já a Caixa afirmou que “as denúncias relacionadas a possíveis invasões e expulsões de moradores são repassadas ao Ministério da Justiça”.