João Pessoa 25/04/2019

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Por medo de ser morto, pivô turco dos Knicks não jogará em Londres

Enes Kanter alegou risco de sofrer um atentado devido à sua oposição ao presidente do seu país, Recep Tayyip Erdogan

pivô turco Enes Kanter, do New York Knicks, anunciou, nesta sexta-feira (4), que não viajará a Londres para enfrentar o Washington Wizards, pela temporada regular da NBA, no próximo dia 17. Em entrevista, o jogador.

“Infelizmente, não irei em função daquele lunático, o presidente turco”, declarou Kanter, após a vitória por 119 a 112 sobre o Los Angeles Lakers, na Califórnia. “Há uma chance de que eu seja morto, por isso falei com a diretoria do time.”

“É bem triste que tudo isso afete minha carreira no basquete porque eu só quero ajudar meu time. Mas por conta deste cara lunático, um maníaco ou ditador, eu não posso sequer fazer meu trabalho. É bem triste”, completou.

Perguntado se realmente tinha medo de sofrer um ataque durante a viagem, o pivô foi assertivo: “Sim, há muitos espiões pior lá. Eu posso ser morto facilmente. Isso seria uma situação muito feia”.

Oficialmente, um porta-voz dos Knicks anunciou que Kanter não fará a viagem por um problema no visto.

Kanter já recebeu ameaças de morte por se declarar contra o presidente turco, principalmente ao apontá-lo como responsável por um atentado a bomba na capital Ancara, em 2016. Conforme publicado em 2017 pela agência de notícias estatal Anadolu, representantes do governo estabeleceram mais de quatro anos de prisão a Kanter por insultos a Erdogan, publicados no Twitter, em 2016.

Segundo o jogador, seu passaporte foi cancelado pelo governo turco, em 2017, devido às suas visões políticas. No mesmo ano, ele chegou a ficar detido temporariamente logo depois de desembarcar em um aeroporto em Bucareste, na Romênia. Desde então, ele evita viagens internacionais, se limitando a ir ao Canadá, onde regularmente enfrenta o Toronto Raptors, pela NBA.

Enes Kanter já se mostrou alinhado com o clérigo Fethullah Gulen, acusado por Erdogan de liderar um fracassado golpe militar, em 2016. Por este motivo, o pai do jogador, Mehmet, escreveu uma carta, publicada em um jornal a favor do governo, rejeitando o próprio filho. “Com um sentimento de vergonha, eu peço desculpas ao nosso presidente e ao povo turco por ter um filho desses”, colocou o professor universitário.

No entanto, em junho de 2018, o governo turco expediu um mandado de prisão contra o próprio Mehmet, o acusando de ter contatos com uma organização considerada terrorista.

Com informações da Folhapress.