Presidente da CBF admite gravidade das denúncias, mas vai aguardar fim das investigações

presidente da CBFO presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, admitiu aos deputados da Comissão do Esporte da Câmara que as denúncias envolvendo a Fifa são graves e atingem um “velho companheiro”, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Mas ele disse que é necessário aguardar o fim das investigações que estão sendo conduzidas nos Estados Unidos.

José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia suíça a pedido de autoridades norte-americanas. Os cartolas são investigados pela Justiça dos EUA em um suposto esquema de corrupção.

Del Nero disse que até agora não teve acesso a nenhum documento e que não pode pré-julgar uma pessoa sem o devido trâmite julgado. Afirmou também que já determinou a entrega imediata de documentos pedidos pelo Ministério Público Federal e Ministério da Justiça do Brasil.

Questionado pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), que lembrou das manifestações do Movimento Bom Senso Futebol Clube pela sua renúncia da presidência da CBF, Del Nero afirmou que “só renuncia quem faz coisa errada”. Ele garantiu que vai cumprir o mandato “até o último dia”. Ele tomou posse em abril deste ano para um mandato de quatro anos, até 2019.

Del Nero diz que não está entre os investigados nas denúncias de corrupção na Fifa

Marco Polo Del Nero também afirmou que não é investigado nas atuais denúncias que estão sendo apuradas pela Justiça norte-americana, envolvendo um suposto esquema de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Ele voltou a afirmar que os contratos investigados não são da sua época como dirigente máximo da CBF, antes ele era vice-presidente, e acrescentou que, apesar de integrar o comitê da Fifa, jamais participou de negociações em torno da escolha de sedes de Copa do Mundo.

O dirigente da CBF se disse surpreso com as suspeitas levantadas em torno da escolha do Brasil como sede da Copa do ano passado, “já que o País era candidato único”.

Perguntado pelo deputado Alexandre Valle (PRP-RJ) se abriria mão espontaneamente dos seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, Del Nero afirmou que “deve ser cumprida a Constituição”, ou seja, ele admite a quebra desses sigilos somente com determinação judicial.

Del Nero diz que tomou medidas para o ‘avanço e modernidade’ do futebol no Brasil

O presidente da CBF disse ainda que, no pouco mais de um mês que está à frente da entidade, tomou uma série de medidas para o “avanço e modernidade do futebol”.

Algumas ainda dependem de aprovação em assembleia, como a reforma do estatuto, que prevê no máximo uma reeleição para dirigentes da entidade, o que pode acabar com a possibilidade de dirigentes se perpetuarem no comando da CBF.

Há também medidas com foco em novos modelos de governança, prevenção à fraude e corrupção e projetos sociais.

Del Nero afirmou que essas providências não têm nenhuma relação direta com as recentes denúncias de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa). Segundo ele, tudo foi planejado no contexto do que ele chama de “nova CBF”.

Jornal do Brasil