Presos na 14ª fase da Operação Lava-Jato fazem exame de corpo de delito.

Marcelo OderbrechOs presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht (de casaco azul), e da Andrade Gutierrez, Otavio Azevedo (de casado bege), deixam o IML

RIO e CURITIBA – Os 12 empreiteiros e funcionários da Odebrecht e Andrade Gutierrez presos na sexta-feira na 14ª fase da Operação Lava-Jato , passaram por exames de corpo de delito na manhã deste sábado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. Eles chegaram por volta de 9h50m e deixaram o local pouco antes de meio-dia. Passar por este tipo de exame é praxe quando alguém é preso pela polícia. Entre os presos estão os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Ontem, a defesa de Marcelo pediu ao juiz federal Sérgio Moro dieta especial na carceragem da PF.

O advogado do presidente da Andrade Gutierrez entrou com pedido de liberdade no Tribunal Regional Federal da 4º Região, em Porto Alegre. O pedido de habeas corpus foi encaminhado para o desembargador João Pedro Gerbran Neto, que rejeitou a maioria dos pedidos de liberdade feitos por presos em outras fases da Operação Lava Jato.

Eles passaram a primeira noite presos na carceragem da PF em Curitiba, na madrugada de sábado, e deverão começar a depor aos delegados que conduzem a Operação Lava-Jato a partir deste fim de semana. Dos 12, oito têm prisão preventiva, e quatro, prisões temporárias.

Os presos na sexta-feira são ligados à Odebrecht e à Andrade Gutierrez. Com essas novas prisões, a carceragem da Polícia Federal em Curitiba atingiu sua lotação máxima.

O avião da PF com 11 dos investigados pousou em Curitiba por volta das 19h40m de ontem. Paulo Roberto Dalmazzo, ex-executivo da Andrade Gutierrez, se entregou na Superintendência da PF, acompanhado do advogado.

No despacho que determinou a prisão de dirigentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, o juiz Sérgio Moro determinou também o bloqueio de contas e investimentos bancários de valores de até R$ 20 milhões das contas de cada um dos dez executivos.

“Considerando os valores milionários dos supostos crimes, resolvo decretar o bloqueio das contas de todos os investigados até o montante de vinte milhões de reais”, escreve Moro.

De acordo com o magistrado, os ganhos ilícitos do esquema justificam o bloqueio. “O esquema criminoso em questão gerou ganhos ilícitos às empreiteiras e aos investigados, justificando-se a medida para privá-los do produto de suas atividades criminosas.”

Moro argumenta ainda não ver problema se a contas também tiverem recursos proveniente de atividades lícitas. “Não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos”, afirma no despacho.

Foram determinados os bloqueios das contas de: Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria da Silva, Cesar Ramos Rocha, Marcelo Bahia Odebrecht, Elton Negrão de Azevedo Júnior, Paulo Roberto Dalmazzo, Otávio Marques de Azevedo, João Antônio Bernardi Filho, Antônio Pedro Campelo de Souza e Celso Araripe de Oliveira.

O Globo