Prisão de Dirceu mostra que PT errou ao minimizar mensalão

dirceu preso lavajato 1A prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu desgasta ainda mais o PT numa hora em que o partido vive uma crise mais grave do que a do mensalão. Também atinge indiretamente o governo, porque enfraquece o PT no Congresso num momento em que a agenda legislativa será dura para o Palácio do Planalto.

Dirceu foi o principal personagem político do mensalão. Sua prisão na Lava Jato reforça a imagem de um partido que continuou a se corromper mesmo depois de ter sofrido condenações no STF (Supremo Tribunal Federal). Deixa claro que o PT errou ao minimizar a gravidade do mensalão.

Dirceu é um símbolo da chegada do PT ao poder. Ao lado do ex-presidente Lula, foi responsável pela estratégia de guinada do partido ao centro na política e na economia. Foi um ministro muito poderoso. Acabou condenado no mensalão e voltou agora ao centro de um grande escândalo.

Dirceu sempre justificou suas consultorias como um trabalho que realizou de fato. Agora, terá de responder às acusações de que as consultorias foram fruto de propinas na Petrobras.

A nova prisão de Dirceu simboliza, de forma triste, a trajetória do PT no poder. É um retrato da chegada do partido ao Palácio do Planalto, aplicando políticas públicas que mudaram o país, à uma provável saída do poder em 2018 de forma melancólica, por ter se confundido com a corrupção e ser responsável por um governo que levou o país a uma crise política e econômica por arrogância e incompetência.

*A presidente Dilma Rousseff está discutindo uma nova reforma ministerial. De novo, age tardiamente. Sempre reativa, sempre atrasada.

No começo do ano, Dilma dava pito em que dizia que havia espaço para reduzir ministérios e que era necessário dar um sinal de esforço do governo em meio ao ajuste fiscal. Na eleição do ano passado, ela também afirmava que não traria economia a proposta do senador Aécio Neves nesse sentido.

Dilma só está analisando a questão agora por causa da baixa popularidade. Mas antes tarde do que nunca.

A reforma em análise prevê tirar espaço do PT e dar ao PMDB, especialmente ao senador Renan Calheiros, presidente do Senado.

A presidente espera contar com apoio do peemedebista para barrar a rejeição das contas do governo em 2014. Dilma quer apoio de Renan numa última articulação para evitar uma recomendação de reprovação do TCU. Se não der certo, espera contar com o senador para tentar barrar uma rejeição no Congresso.

Blog do Kennedy Alencar