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Produção de automóveis teve queda de 11% no ano passado

bndes-banco-bilhoesO prolongamento da recessão econômica no Brasil, que reduziu ainda mais a demanda por novos veículos, derrubou em 11,2% a produção das montadoras em 2016 ante 2015. As fábricas produziram 2,157 milhões de unidades no ano passado, o menor volume desde 2004, apontam dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apesar do resultado negativo no ano inteiro, as montadoras conseguiram emplacar em dezembro o segundo mês consecutivo com produção superior a 200 mil unidades e o segundo crescimento seguido em relação a igual mês do ano anterior.

Foram 200.887 unidades fabricadas no último mês do ano, expansão de 40,6% em relação a dezembro do ano anterior, que foi o pior mês de 2015 e teve o menor nível de produção para o mês desde 2008. Na comparação com novembro, houve queda de 7,1%. Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção de 2016 chegou a 2,078 milhões de unidades, baixa de 11% em relação ao ano anterior. Em dezembro, o volume produzido nos dois segmentos teve queda de 6,5% em relação a novembro, mas alta de 40% em relação a igual mês do ano anterior.

O desempenho das fábricas de caminhões, por sua vez, caiu 18,2% em 2016 ante 2015, ao totalizar 60.604 unidades montadas. Somente em dezembro foram 4.224 caminhões produzidos, recuo de 21,1% ante novembro, porém, avanço de 63,6% sobre igual mês do ano anterior. No caso dos ônibus, foram produzidas 18.711 unidades, baixa de 13% na comparação com 2015.

No último mês do ano, a queda foi de 38,7% em relação a novembro, com 979 unidades. Já na comparação com dezembro de 2015, houve crescimento de 81%. Com o menor nível de produção em 2016, as montadoras fecharam 9 293 vagas de emprego ao longo do ano. Foram eliminados 2.060 postos de trabalho em dezembro. Hoje, as empresas contam com 121 211 funcionários, número 7,1% inferior ao nível registrado no fim de 2015.

A venda de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro caiu 20,2% no ano passado em relação a 2015, divulgou a Anfavea. Foram vendidas 2,05 milhões de unidades no país. Só em dezembro, as vendas somaram 204.329 unidades, alta de 14,7% ante novembro, mas recuo de 10,3% em comparação com dezembro do ano anterior. Contando apenas automóveis e comerciais leves, as vendas de 2016 chegaram a 1,988 milhão de unidades, baixa de 19,8% em relação a 2015.

Em dezembro, a comercialização nos dois segmentos chegou a 199.211 unidades, crescimento de 14,7% em relação a novembro, porém recuo de 9,8% em comparação com igual mês do ano anterior. A venda de caminhões, por sua vez, caiu 29,4% em 2016 ante 2015, ao totalizar 50.562 unidades. Somente em dezembro, foram 4.451 unidades, expansão de 17,1% ante novembro, mas baixa de 20,8% sobre igual mês do ano anterior. No caso dos ônibus, foram vendidas 11.162 unidades no ano passado, baixa de 33,5% na comparação com 2015. Em dezembro, houve alta de 9,3% em relação a novembro, com 667 unidades. Na comparação com dezembro de 2015, a retração foi de 48,6%.

As exportações em valores de veículos e máquinas agrícolas somaram US$ 10,664 bilhões em 2016, alta de 1,6% em comparação com 2015, segundo a Anfavea. Só em dezembro, as vendas externas atingiram US$ 928,8 milhões, baixa de 14,2% em relação a novembro, mas alta de 13,8% sobre igual mês do ano anterior.

No ano, foram exportados 520.286 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, alta de 24,7% na comparação com 2015. Em dezembro, as vendas externas destes segmentos atingiram 62.941 unidades, expansão de 11% em relação a novembro e crescimento de 36,1% ante igual mês do ano anterior Trata-se do maior volume mensal desde agosto de 2013. Para meses de dezembro, é o melhor da história. As vendas de veículos novos devem ter crescimento de 4% em 2017 ante 2016, prevê a Anfavea, após divulgação de números de 2016. Seria a primeira expansão do setor depois de quatro anos seguido de queda.

A projeção é mais otimista que a da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que estima avanço de 2,4%. As variações previstas pela Anfavea significam que a entidade começou o ano mais pessimista do que terminou o ano passado. Em outubro, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, havia dito que esperava para 2017 um crescimento de um dígito “parrudo”, ou seja, entre 5% e 9%. Ele explicou ontem que o maior pessimismo de agora se deve a uma expectativa de menor crescimento do PIB para 2017 e à instabilidade do ambiente político.

“O governo e o mercado financeiro reduziram as suas projeções para o PIB e nós também revisamos a nossa, o que levou a previsão para venda de veículos a um número um pouco mais baixo. Além disso, o cenário político permanece conturbado”, afirmou o executivo. “E não esperamos a recuperação para os primeiros meses de 2017, isso deve acontecer mais para frente, o desemprego ainda é preocupante, os números de desemprego ainda crescem”, afirmou. Para ele, a recuperação só deve ocorrer quando os investimentos e a confiança voltarem.

Para os veículos leves, que são os segmentos de automóveis e comerciais leves, a Anfavea espera avanço de 4% no número de unidades comercializadas. Em relação aos veículos pesados, que consideram caminhões e ônibus, o crescimento previsto é de 6,4%. A produção de veículos também deve ter alta em 2017, de 11,9% sobre 2016. Para os automóveis e comerciais leves, a estimativa é de expansão de 11,3%.

Para os pesados, há uma previsão de crescimento de 26,1%. As exportações de unidades de todos os segmentos devem crescer 7,2% em 2017 sobre 2016, com avanço de 7% para os leves e de 10% para os pesados. No caso das máquinas agrícolas, as vendas internas devem ter alta de 13%. As exportações em unidades devem crescer 6% e a produção deve apresentar expansão de 10,7%.