Promotor quer anular na Justiça decisão da Liesa em não rebaixar a Imperatriz Leopoldinense

Promotor quer anular na Justiça decisão da Liesa em não rebaixar a Imperatriz Leopoldinense

Comissão de frente da São Clemente representava os dirigentes das escolas e o tripé “game over” representava uma sala de reunião, onde foram discutidas as viradas de mesa do carnaval 2018 – Reprodução / Internet
Rio – O Promotor de Justiça, Rodrigo Terra, representante do Ministério Público na ação que obriga a Liga das Escolas de Samba (Liesa) a não realizar novas viradas de mesas, disse que vai à justiça para impedir que a Imperatriz Leopoldinense continue no Grupo Especial do Carnaval carioca.
De acordo com o agente de justiça, um acordo foi assinado entre a Liga e o MPRJ para que escolas de samba não sejam mais beneficiadas após a decisão final em rebaixa-las. O termo foi assinado no ano passado, após a Liesa permitir que a Grande Rio continuasse no Grupo Especial. Na ocasião, a agremiação não havia atingido a pontuação necessária e iria desfilar pelo Grupo A. A multa prevista para o descumprimento do acordo é de R$ 750 mil.
Rodrigo explica que decisões fora do regulamento prejudicam o prometido pelo carnaval na avenida, que é a rivalidade entre as escolas de samba: “Essa situação cria uma instabilidade, uma falta de confiança. Há o descumprimento da promessa de que haja uma competição, o consumidor compra o ingresso para ver isso. Se o regulamento passa a não valer, o desfile deixa de ser uma disputa”, explica.
A negociação para a assinatura do termo teve a participação das prefeituras de Duque de Caxias e do Rio de Janeiro. O então presidente Jorge Castanheira representou a Liesa no acordo, porém, o mesmo pediu demissão na noite desta segunda-feira, após a votação permitir a permanência da Imperatriz no Grupo Especial.
Ao ser questionado sobre como era avaliada a decisão da Liga em manter a escola rebaixada, mesmo após a assinatura do termo e a fixação de uma multa o promotor afirmou: “Eu avalio como uma audácia. Eles não compreendem a relevância do termo. Nada impede que eles façam a festa de
outra maneira, mas vale o que está escrito e isso precisa ser respeitado”, completou.
As agremiações que votaram contra a permanência da Imperatriz no Grupo Especial foram Vila Isabel, Beija-Flor, Portela, Viradouro e a Campeã do carnaval deste ano, a Mangueira. Procurada, a Liesa afirmou que não haverá manifestação da entidade sobre a votação e que deve acontecer nova eleição para presidente da Liga.
Já as oito escolas que votaram a favor foram: Mocidade, Salgueiro, Grande Rio, Unidos da Tijuca, União da Ilha, Tuiuti e São Clemente, que surpreendeu ao aprovar a medida. No carnaval deste ano, a agremiação entrou na avenida com uma comissão de frente que criticava as viradas de mesa da Liesa. Nenhuma delas quis se pronunciar sobre o caso. A Império Serrano, que também foi rebaixada junto com a Imperatriz afirmou que não irá contestar a decisão.

O Dia