Quatro guias permanecem desaparecidos após avalanche no Everest

Avalache no everestEquipe de emergência resgata sobrevivente de avalanche no Everest na sexta-feira, 18 de abril (Prakash Mathema/AFP)

As equipes de resgate continuam a procurar neste sábado por quatro guias nepaleses desaparecidos na sexta-feira após uma avalanche no Monte Everest, que deixou ao menos 12 mortos. As equipes têm poucas esperanças de encontrá-los vivos.

Os guias sherpas preparavam o local para receber os alpinistas durante a alta temporada no momento da avalanche, o acidente com o mais mortos na história da maior montanha do mundo.

“Não há nenhuma possibilidade de encontrar com vida as quatro pessoas desaparecidas. Estão soterradas sob a neve há 24 horas”, declarou à AFP Dipendra Paudel, funcionário do ministério nepalês do Turismo. Apesar da declaração, Paudel disse que não poderia confirmar 16 mortos.

A avalanche aconteceu às 6H45 locais de sexta-feira a 5.800 metros de altitude, em uma área próxima da geleira de Khumbu. Dawa Tashi, um dos sete guias que conseguiram escapar da tragédia, fez um relato da tragédia: “Um bloco gigantesco de gelo chegou do nada (…) caiu sobre nós.” “Quis correr, mas não tive tempo. Estávamos presos”, completou o guia de 22 anos que está internado em um hospital de Katmandu.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o montanhista cearense Rosier Alexandre escapou da avalanche no Everest. A assessoria de Alexandre informou que ele fez contato com sua equipe no Brasil e continua no campo base. “Ele está bem apesar da tragédia que aconteceu em acampamentos avançados no Everest. Todos estão muito abalados. Até o momento três guias de sua equipe estão desaparecidos. Logo que possível daremos mais notícias”, disse a assessoria.

Alexandre comentou a tragédia em sua conta no Facebook. “Todos nós montanhistas estamos de luto. Eu continuo no campo de base (5.350m) em segurança.”

Avalanche mais violenta da história do Everest deixa 12 mortos

Vítimas eram sherpas que trabalham em empresas de turismo especializada em alpinismo na Cordilheira do Himalaia

Rodrigo Raineri é o primeiro brasileiro a escalar o Everest 3 vezesImagem do Everest, a maior montanha do mundo, no Himalaia (Arquivo Pessoal)

Pelo menos doze guias nepaleses morreram nesta sexta-feira em uma avalanche no Everest, o acidente mais violento da história da maior montanha do mundo. As vítimas integravam um grande grupo de sherpas que saíram durante a manhã com barracas, alimentos e cordas, antes do início da temporada de alpinismo, no fim do mês. A avalanche aconteceu às 6h45 locais a 5.800 metros de altitude, em uma área que leva à geleira de Khumbu. “Até agora retiramos doze corpos da neve. Não sabemos quantos mais se encontram presos”, declarou Dipendra Paudel, funcionário do ministério do Turismo do Nepal, em Katmandu. Uma equipe de resgate, com o apoio de helicópteros, procura sobreviventes. Sete pessoas que haviam sido cobertas pela neve e gelo foram resgatadas com vida, segundo Paudel.

Um funcionário da equipe oficial de resgate que trabalha no campo base da montanha de 8.848 metros de altura, Lakpa Sherpa, disse que o número de mortos pode chegar a catorze. “Vi onze corpos que foram trazidos ao campo base, mas nos informaram que devemos esperar mais três”, disse por telefone o integrante da Associação de Resgate no Himalaia.

Elizabeth Hawley, considerada a principal especialista mundial em escaladas no Himalaia, afirmou que esta avalanche é o acidente mais letal da história do alpinismo no Everest. O acidente mais grave anterior havia acontecido em 1996, quando oito pessoas morreram em um período de dois dias durante uma tempestade enquanto tentavam escalar a montanha. “Esta é, sem dúvidas, a pior catástrofe no Everest”, disse Hawley.

A empresa Himalayan Climbing Guides do Nepal, com sede em Katmandu, confirmou que dois de seus guias estavam entre os mortos e quatro são considerados desaparecidos. “Quando nossos guias partiram do campo base não nevava, o tempo era fantástico”, declarou o gerente de operações da empresa, Bhim Paudel. “Dezenas de guias de outras agências cruzaram a passagem sem problemas antes”, completou. “Esperávamos segui-los, não recebemos nenhum alerta”, explicou.

A cada verão do hemisfério norte, centenas de alpinistas de todo o mundo tentam escalar as montanhas do Himalaia quando as condições climáticas são favoráveis. O acidente evidencia os grandes riscos para os guias sherpas, que transportam barracas, alimentos, reparam equipamentos e fixam as cordas para ajudar os alpinistas estrangeiros que pagam dezenas de milhares de dólares para chegar ao topo.

Mais de 300 pessoas morreram no Everest desde a primeira escalada com sucesso, de Edmund Hillary e o sherpa Tenzing Norgay em 1953. O pior acidente na história do alpinismo no Nepal aconteceu em 1995, quando uma avalanche atingiu o acampamento de um grupo nipônico, perto do Everest, e matou 42 pessoas. O país pobre do Himalaia tem oito das catorze maiores montanhas do mundo, com mais de 8.000 metros. O governo do Nepal concedeu licenças a 734 pessoas, incluindo 400 guias, para escalar o Everest este verão.

(Com Estadão Conteúdo e AFP)