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Queda na agricultura e nos investimentos faz economia brasileira recuar 0,5% no terceiro trimestre, diz IBGE

gráficoRIO – A economia brasileira recuou 0,5% entre julho e setembro deste ano, frente ao segundo trimestre, informou o IBGE nesta terça-feira, para R$ 1,213 trilhão. Pela primeira vez, o instituto incorporou ao cálculo a pesquisa mensal de serviços – que começou a ser divulgada este ano – e que, por enquanto, mede apenas a receita do setor. É a primeira queda desde o primeiro trimestre de 2009, quando o resultado foi negativo em 1,6%, segundo os dados revisados.

Com a nova metodologia, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) foi de 2,2% frente ao terceiro trimestre do ano passado. O instituto revisou o número do acumulado do ano em 2012 de 0,9% para 1%. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 2,3% e no acumulado deste ano, de 2,4%.

O resultado veio em linha com a previsão mais pessimista dos analistas do mercado. Segundo pesquisa da Bloomberg com 24 economistas, a média das projeções era de queda de 0,3%, e a máxima, de 0,5%. Já em relação ao terceiro trimestre de 2012, a estimativa era de alta de 2,4%.

A agropecuária foi a principal responsável pela queda do PIB no trimestre, com recuo de 3,5% sobre os meses de abril a junho. Em relação ao ano anterior, caiu 1%. Segundo o IBGE, a queda foi influenciada pelo desempenho ruim das lavouras de laranja (-14,2%), mandioca (-11,3%) e café (-6,9%).

– Quando a gente olha os produtos que têm importância no trimestre, a gente vê que não aparece a soja. Além disso, muitos produtos com safra importante neste trimestre estão com perspectivas de queda na produção. É o caso da cana, do café e da laranja. – afirma Rebeca.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), também recuaram 2,2% no terceiro trimestre, frente ao segundo trimestre do ano. Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, o indicador avançou 7,3%, puxado pela produção de bens de capital. É a terceira alta trimestral seguida.

A taxa de investimento frente ao PIB, ficou em 19,1%, maior do que a do terceiro trimestre de 2012, de 18,7%. Já a taxa de poupança ficou em 15% no terceiro trimestre. Foi o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2000, quando o percentual em relação ao PIB havia sido de 14,4%.

Indústria sobe

Por outro lado, a indústria e os serviços registraram leve alta de 0,1% no terceiro trimestre, frente ao segundo trimestre. Entre os subsetores que formam a indústria, o destaque foi a atividade extrativa mineral, que avançou 2,9% na mesma comparação e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (alta de 0,9%). Na outra ponta, os destaques negativos ficam com a indústria de transformação (-0,4%) e na construção civil (-0,3%).

A indústria cresceu 1,9% frente ao terceiro trimestre do ano anterior, com resultados positivos em todas as atividades do setor. Entre elas, destaque para o desempenho da indústria extrativa (0,7% também frente ao mesmo período do ano passado) e indústria de transformação (1,9%), resultado foi influenciado pelo aumento da produção de máquinas e equipamentos – máquinas e aparelhos elétricos; material eletrônico; equipamentos médico-hospitalares e indústria automotiva.

No setor de serviços, frente ao segundo trimestre deste ano, houve crescimento em transporte, armazenagem e correio (0,8%), administração, saúde e educação pública (0,8%) e serviços de informação (0,7%). O comércio (0,0%) ficou estável, na mesma comparação. As demais atividades apresentaram recuo do volume em relação ao trimestre anterior: outros serviços (-0,4%), intermediação financeira e seguros (-0,2%) e atividades imobiliárias e aluguel (-0,2%).

Revisão dos dados

Revisados, os dados de 2012 mostram queda de 2,1% para o setor agropecuário – antes, o recuo era de 2,3%. O peso do setor no PIB é de 5%. Na indústria, foi mantido o dado que aponta queda de 0,8%.

O setor de serviços perdeu ritmo em 2013, de acordo com Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE. Isso explica a performance positiva na revisão dos dados no ano de 2012 ao contrário do verificado nos resultados de 2013.

Segundo Rebeca de La Rocque Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais, com a inclusão do setor de serviços, houve grande influência nas atividades ligadas ao Comércio (de 1% para 0,9%), Serviços de Informação (2,9% para 4,2%) e Transporte, armazenagem e correio (de 0,5% para 1,9%).

Por sua vez, os ramos Atividades Imobiliárias e Aluguéis (de 1,3% para 2,2%) e Administração pública (de 2,8% para 2,3%) foram diretamente influenciados pela incorporação dos dados da PNAD. De acordo com Rebeca, o peso das duas atividades equivale a cerca de 45% do setor de Serviços.

A desaceleração da economia brasileira é esperada desde outubro, quando o PIB no segundo trimestre surpreendeu, com alta de 1,5%.