Radialista é preso na Venezuela após criticar a polícia

liberdade de expressãoCARACAS – Um jornalista de uma emissora de rádio da Venezuela foi detido por agentes da polícia judicial poucos minutos depois de se queixar no ar sobre os oficiais que dirigem carros de luxo e usam joias chamativas. A prisão foi denunciada pelo filho do radialista nesta sexta-feira.

Victor Hugo Donaire, de 50 anos, foi preso na quinta-feira, depois que quatro policiais da corporação de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas interromperam seu programa matinal na Rádio Los Morros, na cidade de San Juan de los Morros, no estado de Guárico.

Ele foi detido por “resistência à prisão e maus-tratos a um funcionário público”, explicou seu filho, Danny Donaire, que é vice-presidente da emissora de rádio.

– Eles alegaram que o pegaram em flagrante, fazendo denúncias contra os policiais – contou Danny.

Segundo o filho do radialista, os agentes também maltrataram os empregados da emissora e apreenderam o celular de um deles para impedir que ele tirasse fotos do momento da detenção. O áudio da prisão, porém, foi gravado e acabou retransmitido por vários meios de comunicação da Venezuela.

– Estamos consternados e preocupados. Eles vieram sem nenhum tipo de ordem judicial – disse Danny Donaire.

Ativistas de direitos humanos reclamam que, em 14 anos de governo de Hugo Chávez, o Estado assumiu o controle da maioria dos órgãos de imprensa da Venezuela. O cerco à mídia foi intensificado com Nicolás Maduro, que passou a incentivar a punição dos meios de comunicação que publiquem notícias sobre a escassez de produtos e alimentos, um problema recorrente no país. Antes, o atual presidente venezuelano já tinha proibido a imprensa de divulgar reportagens sobre a violência, desencadeando uma enxurrada de críticas sobre a censura aos jornalistas na Venezuela.

O decreto é quase idêntico ao firmado por Hugo Chávez em 1° de junho de 2010, criando o Cesna. A única diferença, segundo o jornal “La Nación” é que o Cesppa é ligado diretamente a Maduro, pelo Ministério de Despacho da Presidência e Seguimento da Gestão de Governo, em vez do Ministério das Relações Interiores e Justiça, órgão ao qual estava ligado o Cesna.

A criação do Cesppa é mais um movimento de Maduro em sua guerra contra os meios de comunicação na Venezuela. Na semana passada, ele definiu como “um crime” a divulgação de notícias sobre a escassez de produtos nos mercados, um problema grave e recorrente no país. E pediu que a Justiça venezuelana aplique sanções drásticas aos meios de comunicação que insistam nessa cobertura.

Associações venezuelanas de imprensa denunciam que a censura à mídia tornou-se uma política de Estado. Desde a venda, em março, da Globovisión – até então um dos raros canais independentes no país – e do conglomerado de comunicação Cadena Capriles, acertada em junho, quase não restam meios críticos ao governo chavista.

O globo