Raoni desafia Marco Antonio a aprovar CPI para investigar contrato da PMJP com empresa ‘ligada’ a Dirceu

raoni desafia marco ant.O líder da oposição na Câmara de João Pessoa, Raoni Mendes (PDT), desafiou, durante debate com o líder do prefeito Luciano Cartaxo (PT), Marco Antonio (PPS), a aprovar a CPI para investigar o contrato firmado entre o prefeito e uma empresa de limpeza urbana que seria ligada a uma empresa de José Dirceu e acusada de envolvimento em esquemas de propina em outros estados.

Marco Antonio rebateu afirmando que o contrato foi firmado à época que o irmão de Raoni estava à frente da Emlur e o oposicionista deu o ultimato: “seja homem para dizer que é a favor de toda e qualquer investigação”.

O líder do prefeito afirmou que o requerimento remonta ao ano de 2013, quando Raoni era líder de Cartaxo e seu irmão superintendente da Emlur. “Ele (Raoni) sabe mais do que eu”, afirmou lembrando o período e destacou que a oposição, por não conseguir encontrar problemas na administração pública, quer “colar a imagem de Luciano com a do PT nacional”.

“Qual o partido do prefeito?”, questionou Raoni e relembrou as informações já passadas pelo vereador Renato Martins (PSB) ao pedir primeiro uma CPI e depois informações sobre o contrato. “João Pessoa não é Sucupira!”, afirmou o oposicionista e continuou: “Está quase igual a Odorico Paraguaçu, qualquer semelhança não é mera coincidência, é uma gestão de improviso, marcha lenta”, alfinetou e reclamou que o vereador da situação partiu para o ataque ao falar de seu irmão.

Raoni afirmou que trabalhou para eleger Cartaxo junto com seu irmão e que pediu desculpa à população por isso, pois, para ele, o prefeito não correspondeu. “Desafio a assinar a CPI do Lixo e passar pela gestão do meu irmão. Seja homem para dizer que é a favor de toda e qualquer investigação, eu sou. Inclusive do meu irmão, mas faz um discurso aqui e lá não honra a palavra. Peço que abra o tempo que quiser investigar é o tempo que você quiser, de 1980, 1990, anos 2000. Se quiser pegar só a parte de Anselmo Castilho e meu irmão, eu topo”, afirmou.

“É verdade que a empresa de Zé Dirceu foi contratada pela Revita para prestar consultoria, ele foi preso pela terceira vez, cidades onde capitais onde o PT administra Dirceu conseguiu colocar a Revita. É verdade que a Revita doou R$ 3,9 milhões ao PT nacional e este enviou R$ 1,3 milhão para Cartaxo. Essa triangulação ninguém quer saber? O PT precisa explicar e o PT de Cartaxo é o nacional”, destacou.

Marco Antonio rebateu afirmando que o contrato foi aprovado pelo TCE e apontou que se existe denúncia que uma empresa doou para empresa de José Dirceu… meu partido também tem ministério de Dilma. Você foi candidato naquela época, utilizou o espaço do PDT, vamos ver o DNA do dinheiro, de onde saiu?”, ressaltou e sugeriu que se faça uma discussão sobre o financiamento público de campanhas para saber se é ético uma empresa doar e depois fazer obra naquele município, estado ou nação. O que não pode é o que estão fazendo na Câmara, vincular o debate para prejudicar o prefeito que não tem nada a ver com isso”.

Raoni voltou a afirmar que gostaria que Marco Antonio afirmasse que deseja fiscalizar os contratos da Revita e deseja investigar, criar uma CPI, trazer a Lava Jato para João Pessoa. Ele reclamou ainda que está há quase dois anos longe do governo e que ainda tentam colocar para ele por ter apoiado o prefeito na época da eleição. “O prefeito não honrou 20% do que se comprometeu na Campanha”, criticou. Ele alfinetou também, pelo vereador não facilitar o acesso do ex-secretário de Turismo, Bruno Farias (PPS) ao prefeito.

Por sua vez, Marco Antonio tentou esfriar o debate afirmando que não estaria colocando pecha de desonestidade em Raoni, nem em seu irmão, nem em Anselmo Castilho, pois se tivesse fazendo isso, estaria reconhecendo que há coisa errada na Emlur. Ele apontou ainda que há “coisas que tem um único objetivo de fazer exploração politiqueira” e destacou que não vai servir de ‘bucha de canhão’, finalizando que o único motivo para a instalação desta CPI é porque a oposição quer, “não tem fato determinado”.

Marília Domingues