Recessão traz alívio à crise do setor energético, afirma especialista

Recessão traz alívio à crise do setor energético, afirma especialista

energia 1O setor energético do Brasil vive um cenário de crise agravado por fatores meteorológicos. Com o baixo nível de chuvas, a geração de energia no país passou a depender mais das usinas termelétricas, cujos custos de produção são maiores. Os valores foram repassados aos consumidores, que já arcam com tarifas elevadas. Para Paulo César Cunha, consultor sênior da FGV Energia, a recessão econômica trouxe certo alívio graças à queda do consumo. Mesmo assim, especialistas estimam que o rombo no setor energético possa chegar a R$ 70 bilhões.

Na avaliação de Paulo César, a questão hídrica, que teve grandes impactos principalmente no nordeste, não justifica a atual crise energética. “A expansão dos empreendimentos é que foi feita de maneira errada. Se esses empreendimentos tivessem sido construídos tempestivamente e com as fontes corretas, essa conjuntura hídrica, que não foi muito favorável, teria sido superada”, argumenta. Ainda de acordo com o economista, foram muitos os erros na área de planejamento. A priorização de usinas térmicas a óleo diesel, que têm um custo variável elevado, trouxe ônus ao setor. “A gente acabou desconsiderando uma possível expansão com usinas, mesmo que fossem térmicas, mais baratas. As usinas a gás, por exemplo”, afirma Paulo César.

A recessão econômica por que passa o Brasil tem aspectos positivos para a geração de energia, na avaliação do consultor da FGV. Isso porque o consumo industrial caiu – assim como o familiar, por conta da economia doméstica em tempos de desemprego e cortes orçamentários. Segundo dados preliminares da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o consumo de energia teve queda de 3,4% na primeira semana de outubro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A geração apresentou recuo de 3%.

Para o ministro de Minas e Energia Eduardo Braga, entretanto, o quadro seria pior caso houvesse racionamento. “A pior tarifa de energia elétrica é não ter energia elétrica, que foi o que aconteceu conosco em 2001”, afirmou ele durante um evento no início deste mês. Além da falta de água nas hidrelétricas, o ministro avalia que o setor enfrenta outras dificuldades, como a obtenção de licenciamentos – sejam ambientais, na Funai ou no Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “E mesmo assim o sistema elétrico brasileiro tem garantido energia elétrica para o país”, comemorou Braga na mesma ocasião, a abertura do seminário de comemoração aos 15 anos da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), em Brasília.

Jornal do Brasil