João Pessoa 14/12/2018

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Reforma da Previdência em 2019 é mais racional, diz Nova Futura

Silveira: texto deve ser do novo governo ‘Ministério da Economia é positivo’, diz

Para Silveira, cenário internacional pode ser o maior desafio econômico do presidente eleito Nova Futura

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, 55 anos, acredita que o custo de se aprovar a reforma da Previdência “às pressas” em 2018 seria maior do que os benefícios.

“Acho que o mais racional seria, de fato, deixar para o próximo governo elaborar sua proposta, discutir com a sociedade e com o Congresso”, disse em entrevista ao Poder360.

Segundo ele, o mercado espera que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), apresente uma proposta de reforma com medidas críveis e que sejam capazes de reduzir a relação dívida pública/PIB (Produto Interno Bruto) nos próximos anos.

Nesta semana, Bolsonaro e o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmaram que a reforma, desafio econômico número 1 do próximo governo, deve ficar para 2019. O militar não pretende seguir adiante com a proposta do presidente Michel Temer (MDB).

Silveira defendeu, ainda, a decisão do novo governo de criar o superministério da Economia, que reunirá, a partir de 2019, as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços sob o comando de Paulo Guedes.

“É positivo pois unifica 1 conjunto de políticas públicas, tornando-as mais eficientes. Com 3 ministérios operando, é comum que batam cabeça”, afirmou.

Confira trechos da entrevista:

Poder360: No início desta semana, o governo eleito abandonou a possibilidade de aprovar a reforma da Previdência em 2018. Era importante votar neste ano? 
Pedro Paulo Silveira: Não tinha expectativa de aprovação neste ano. O governo atual está terminando, boa parte do Congresso não foi reeleita e há 1 novo presidente eleito. Acho que o mais racional seria, de fato, deixar para o próximo governo elaborar sua proposta, discutir com a sociedade e com o Congresso. Por mais que demore algum tempo, o custo de fazer essa aprovação apressadamente poderia ser maior do que o de se esperar mais 1 ou 2 meses.

O que o mercado espera da reforma?
O mercado tem uma expectativa muito grande em relação à reforma porque a Previdência é responsável por uma parte consideravelmente grande do deficit. Esse deficit coloca uma perspectiva de trajetória da relação dívida/PIB muito ruim. A Previdência, então, é peça fundamental desse ajuste. É necessário que seja apresentada uma proposta com medidas críveis e que levem o mercado a perceber uma queda na relação dívida/PIB ao longo do tempo.

Qual a sua opinião sobre o superministério da Economia?
É positivo, pois unifica 1 conjunto de políticas públicas, tornando-as mais eficientes. Com 3 ministérios operando, é comum que eles batam cabeça, pois as divergências entre si são muito grandes. Quando isso acontece, acaba produzindo perda de potência da política econômica.

Além da reforma da Previdência, qual deve ser a pauta econômica prioritária do novo governo?
Independência do Banco Central, corte de despesas e aumento de arrecadação.

O novo governo vai começar com a taxa básica de juros na mínima histórica e uma inflação na meta. Como manter esse cenário?
É preciso equilíbrio fiscal, não tem outra forma. Equilíbrio fiscal e política monetária independente.

O que o governo eleito pode esperar do cenário internacional?
A economia global está vivendo 1 momento crucial. Os Estados Unidos têm 1 período médio entre as recessões de 6,5 anos. O período máximo entre uma recessão e outra é de 10 anos. Já fez 10 anos desde a última recessão, então, a partir de 2019, essa possibilidade não é baixa. Esse pode ser o maior desafio. O Banco Central também está normalizando a política monetária lá, subindo a taxa de juros, e isso precisa ser acomodado pela economia global.

Como isso afeta a economia brasileira?
Se a economia global desacelera, a nossa também desacelera. Isso acontece pela via real, das relações comerciais, e também pela via das transações financeiras. Pode haver queda no fluxo de capitais para economias emergentes e aumento da aversão ao risco, o que derruba bolsas e faz o dólar subir.

Poder360