Reportagem do 'Estado' mostrou que fundo administrado pelo BTG teve rentabilidade de 402% em 2011

Reportagem do ‘Estado’ mostrou que fundo administrado pelo BTG teve rentabilidade de 402% em 2011

Mesas de operação do BTG. Foto: NYT

Em abril de 2012 o Estado publicou reportagem mostrando que um fundo de investimentos administrado pelo BTG Pactual havia acumulado rentabilidade de 402% em 2011 apostando nas oscilações da taxa básica de juros, a Selic.

O desempenho era muito superior à média dos fundos do mesmo segmento, na época, na faixa dos 25%, e chamou a atenção do mercado financeiro, como informou a colunista do Estado Sonia Racy.

O Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Bintang – Investimento no Exterior, criado em agosto de 2010, tinha um único cotista e começou com patrimônio de R$ 3,9 milhões. Em abril de 2012 já tinha R$ 50 milhões, um avanço de 1.182%.

Na época, o BTG Pactual e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não informaram quem era o cotista, sob o argumento de que se tratava de informação sigilosa.

O gráfico com a oscilação do Bintang mostrava que, entre julho e setembro de 2011, o patrimônio havia crescido quase 100% – de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões.

Em 31 de agosto de 2011, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu inesperadamente a Selic de 12,5% para 12% ao ano.

Em outubro daquele ano, a CVM abriu investigação por causa de movimentações “atípicas” às vésperas do encontro do Copom. Em abril de 2012, porém, as investigações foram encerradas sem que fossem constatadas irregularidades.

O fundo Bintang, palavra que significa estrela em indonésio, tinha na carteira basicamente opções de compra e venda de taxas de juros. Nesses papéis, negociados na BM&FBovespa, hoje B3, o investidor apostava no que ia acontecer com a taxa Selic. Em alguns momentos de 2011, o fundo aplicou praticamente todo o patrimônio de que dispunha nesses papéis.

O regulamento informava que o Bintang tinha como gestor Marcelo Augusto Lustosa de Souza. Na época, o BTG informou que o gestor era pessoa física, “credenciado junto à CVM e nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o banco”.

Segundo o regulamento do fundo na CVM, a administradora respondia pelo “conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao seu funcionamento e à sua manutenção”.

Embora o regulamento falasse em “investimento no exterior”, a carteira do Bintang mostrava que só havia operações com ativos negociados no Brasil.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que acompanha o mercado de fundos, informou na ocasião que o Bintang estava classificado como “multimercado”.

Estadão