“Reza a Lenda”: “Mad Max” brasuca com Cauã Reymond

mad maxEm dezembro do ano passado, um trailer rodou a internet – “é o ‘Mad Max’ do sertão”, todos diziam ao assistir à prévia de “Reza a Lenda”, filme que chega hoje aos cinemas estrelado por Cauã Reymond e dirigido por Homero Olivetto.
Sim, a estética em muito se assemelha ao da série criada por George Miller que, inclusive, com seu último capítulo, “Mad Max: Estrada da Fúria”, recebeu 10 indicações ao Oscar 2016, mas isso é assunto para outra pauta. Vamos á trama?
No sertão, a sorte favorece apenas os mais fortes e corajosos. Ara (Cauã Reymond), um homem de ação e poucas palavras, é o líder de um bando de motoqueiros armados que acredita em uma antiga lenda é capaz de devolver justiça e liberdade ao povo da região. Quando realizam um ousado roubo, acabam despertando a fúria do poderoso Tenório (Humberto Martins). Agora, Tenório vai concentrar todas as suas forças em uma perseguição para destruir o bando de Ara e recuperar aquilo que acredita ser seu por direito. Durante a perseguição, a jovem Laura (Luisa Arraes) é resgatada de um acidente e tem que seguir o bando contra a sua vontade, despertando ciúmes em Severina (Sophie Charlotte), companheira de Ara.
O problema é que nunca fica claro ao espectador o que esses “motoqueiros” querem. Quer dizer, eles querem recuperar a imagem da santa que faz chover, mas é só. O personagem de Humberto Martins é vilanesco sem motivos aparentes. É mau por ser mau, e isso, para o filme, deveria satisfazer qualquer sede por explicações mais aprofundadas.
Entrevistas
“Sempre imaginei o sertão com uma linguagem pop. Queria retratar um sertão heróico e não vitimizado ou folclórico. Não queria brincar com estereótipos que já existem, mas reforçar o lado heróico do sertanejo. Isso é muito  bonito”, afirma Homero Olivetto.
Para Cauã Raymond, a religião foi um ponto importante na construção de seu personagem. “Foi muito importante poder entrar em contato com isso de forma tão profunda. O Ara é uma espécie de Antônio Conselheiro. Ele é um cara muito rústico, até ignorante. São uma espécie de cangaceiros-motoqueiros religiosos, revolucionários, em busca de uma santa”, conta o ator.
Primeira – e única – opção de Olivetto para o papel, o galã global mergulhou de cabeça nas viagens do diretor. Ele tem essa história na cabeça há muitos anos. É muito difícil você ver um roteiro tão original quanto este. É um projeto que não cai no colo da gente a toda hora”, afirma o também coprodutor do filme.
Sophie Charlotte, sua colega de elenco, diz que uma das dificuldades da produção foi aprender a dirigir motocicletas. “Eu nunca tinha pilotado uma moto na minha vida. (A Severina) é uma personagem bem apaixonada e trágica. Se priva um pouco até do que é o feminino para seguir as batalhas”, pondera.
Gazeta