Ronda Rousey fulmina Bethe Correia com nocaute em segundos no UFC do Rio

ronda rousey derrubaRonda Rousey dispara o soco contra Bethe Correia na luta em que a americana nocauteou a brasileira, ganhou o prêmio de performance da noite e manteve o cinturão do peso-galo feminino do UFC – RICARDO MORAES / REUTERS

Ronda Rousey precisou de apenas 34 segundos para derrotar Bethe Correia na Arena da Barra, no Rio, palco de uma luta curta, mas memorável, no UFC 190. O fenômeno do MMA feminino, mortal na luta agarrada, graças à técnica apurada no judô, apagou a rival usando as armas da oponente. Sem essa de finalização. Foi nocaute mesmo. Daquele clássico, quando o adversário desaba e, como diziam os antigos, beija a lona. O “beijinho no ombro” para as invejosas, música de Walesca Popozuda com que Bethe entrou no octógono, saiu pela culatra.

O combate-relâmpago foi frenético. Sem cumprimento antes, sem o cordial toque de luvas. As duas partiram uma para cima da outra. Com socos e fúria. Ronda tentou se aproximar para derrubar com seu tradicional golpe de judô girando o quadril. Bethe se defendeu e escapou. A brasileira deixou o rosto muito claro da americana logo vermelho. Bateu, mas levou o troco na mesma proporção. Até que as duas grudaram na grade, em trocação franca, raivosa. Ronda encurralou Bethe e a atingiu com uma joelhada no abdômen. Depois encaixou um direto de direita na têmpora da rival, que caiu de frente, tombando com o rosto no chão, nocauteada.

Bethe Correia desaba no chão após ser atingida por um soco de Ronda Rousey na têmpora: nocauteada de forma avassaladora – RICARDO MORAES / REUTERS

 

 – Quis bater nela para cansá-la e fazer com que ela viesse no clinche (para encaixar a luta agarrada), e vocês viram o que aconteceu (nocaute) – explicou Ronda, que prometera que teria no Rio sua performance mais devastadora.

A americana, que na semana da luta andou dividindo a torcida brasileira, entrou sob vaias e gritos de “uh, vai morrer”. Só que a vitória acachapante lhe deu uma honra inédita para um estrangeiro em palco brasileiro. Ganhou seu próprio grito, em uníssono na arena, de “olê, olê, olá, Ronda, Ronda”.

Ronda Rousey sorri ao escutar os gritos da torcida brasileira na Arena da Barra: reconhecimento e idolatria após nocautear Bethe Correia – RICARDO MORAES / REUTERS

– Muito obrigado – falou, em português. – Obrigado aos meus melhores fãs, os brasileiros – completou a campeã, em inglês.

A vitória foi a 12ª de Ronda em sua carreira invicta no MMA. A 11ª a acontecer no primeiro round, e a terceira por nocaute (as demais foram por finalização com chave de braço). Para Bethe foi a primeira derrota em dez confrontos. Ela ganhou sete vezes por decisão dos juízes e em outras duas aplicou o nocaute.

SHOGUN x MINOTOURO

A reedição do combate épico no extinto Pride, dez anos depois, entre os veteranos Mauricio Shogun, que já foi dono do cinturão dos meio-pesados do UFC, e Rogério Minotouro teve resultado idêntico ao da primeira vez. Shogun venceu por decisão unânime e ouviu aplausos misturados a vaias quando o veredicto dos juízes foi anunciado. O lutador curitibano dominou o confronto, mas esteve muito perto de rs nocauteado no primeiro round, quando a mão esquerda de Minotouro entrou devastadora. Shogun dobrou o joelho e balançou, mas sobreviveu e voltou melhor nos dois rounds seguintes, aplicando chutes laterais potentes na cintura do oponente.

– Senti o golpe realmente, fiquei muito grogue, mas sabia que tinha que me recuperar e consegui – disse Shogun, quase não podendo ser ouvido, devido aos gritos de “Uh, é Minotouro” da torcida do Team Nogueira.

MINOTAURO REVERENCIADO

Ao som de “o campeão voltou”, entoado pela arquibancada, Rodrigo Minotauro, 39 anos, mostrou que a valentia e o talento de uma das lendas da história do MMA resistem ao tempo. Que, porém, cobra a conta. Diante do holandês Stefan Struve, 12 anos mais jovem, um gigante de 2m13 que tem a maior envergadura do UFC, o ex-campeão dos pesados do Pride e do Ultimate (interino) buscou o confronto, andou o tempo todo para frente e aguentou pancada. Mas acabou derrotado por decisão unânime dos jurados, num combate que levantou o público.

Até Struve o reverenciou. Primeiro, ergueu o braço do adversário logo que a luta terminou. E depois, ao ter seu nome anunciado como vencedor, ergueu o brasileiro pela cintura, em reconhecimento ao que ele representa.

– Sei que vocês queriam que Minotauro vencesse hoje, e eu o respeito tanto quanto vocês. Ele é um cara que não é normal, eu o acertei para valer algumas vezes, e ele não caiu – elogiou Struve, que contou ter passado mal e vomitado três horas antes do combate.

Em outra luta dos pesos-pesados, Antônio Pezão nocauteou o australiano Soa Palelei nos instantes iniciais do segundo round, depois de passar sufoco no primeiro, quando sofreu uma queda, ficou por baixo e levou castigo. Salvo pelo gongo, partiu com tudo depois do intervalo e decidiu a luta graças à sua mão pesada. Uma sequência de socos de Pezão derrubou Palelei e pôs fim ao duelo.

– Tive duas apresentações ruins aqui no Brasil antes, e queria recompensar porque o povo daqui merece, é um povo batalhador, guerreiro. Estou voltando com tudo – festejou o lutador, que vinha de três derrotas e um empate em suas quatro lutas anteriores.

Claudia Gadelha teve uma luta dura contra Jessica Aguilar, de muita trocação, mas foi absoluta nos três rounds e ganhou com folga, por decisão unânime. E pediu sua chance de lutar pelo cinturão do peso-palha.

– Dana White, quero uma chance de lutar pelo título, eu mereço – disse, voltando-se para o presidente do UFC. – Joanna, não importa se essa luta fora daqui a dois ou três meses ou um ano, vou estar aqui no octógono, esperando por você – mandou o recado para a campeã, a polonesa Joanna Jedrzejczyk.

FINAIS DO TUF BRASIL

Em luta de pouca emoção, Glaico França finalizou com um estrangulamento Fernando Açougueiro a 14 segundos do fim da luta e conquistou o título do peso-leve do Ultimate Fighter Brasil 4, o reality show com transmissão na TV Globo.

Na decisão do peso-galo do programa, Reginaldo Vieira ganhou por decisão unânime de Dileno Lopes. Quando viajou da Zona Leste de São Paulo para participar da seletiva do programa no Rio, Reginaldo pegou carona e levou marmita para economizar. O sacrifício foi recompensado com o contrato que passará a ter com o UFC.

Confira todos os resultados do UFC 190:

CARD PRINCIPAL

Peso-galo: Ronda Rousey venceu Bethe Correia por nocaute, round 1

Peso-meio-pesado: Mauricio Shogun venceu Rogério Minotouro por decisão unânime

Final do TUF Brasil 4 peso-leve: Glaico França venceu Fernando Açougueiro por finalização (estrangulamento), round 3

Final do TUF Brasil 4, peso-galo: Reginaldo Vieira venceu Dileno Lopes por decisão unânime

Peso-pesado: Stefan Struve venceu Rodrigo Minotauro por decisão unânime

Peso-pesado: Antônio Pezão venceu Soa Palelei por nocaute, round 2

Peso-palha: Cláudia Gadelha venceu Jessica Aguilar por decisão unânime

CARD PRELIMINAR

Peso-meio-médio: Demian Maia venceu Neil Magny por finalização (estrangulamento), round 2

Peso-meio-pesado: Patrick Cummins venceu Rafael Feijão por nocaute técnico, round 3

Peso-meio-médio: Warlley Alves venceu Nordine Taleb por finalização (guilhotina), round 2

Peso-galo: Iuri Marajó venceu Leandro Brodinho Issa por decisão unânime

Peso-médio: Vitor Miranda venceu Clint Hester por nocaute técnico, round 2

Peso-galo: Guido Cannetti venceu Hugo Wolverine por decisão unânime .

 O Globo