‘Sem arte, um país não tem caráter’, diz Fernanda Montenegro

A atriz Fernanda Montenegro chega para sessão de gala do filme ‘A Vida Invisível’, ao lado do diretor Karim Aïnouz e da atriz Julia Stockler Foto: Bruno Rocha/FOTOARENA

“É estranho o que está acontecendo”, disse Fernanda, 90 anos recém-completos. “Mas os filmes estão aparecendo, as peças também. Estamos absolutamente vivos.”

“Sem arte, um país não tem caráter”, prosseguiu a atriz. “Parece que a arte é abstrata, que não passa pelo ‘pão nosso de cada dia’. O que não é verdade, o campo da arte é grande fornecedor de mão de obra. Nada é mais importante do ponto de vista social do que a arte, além da criatividade, do imaginário. Não sei por que nos destacam da solidez do lugar que se pode ganhar a vida.”

O secretário municipal de Cultura, Ale Youssef, anunciou a criação de um novo festival de teatro na cidade, a ser realizado em janeiro de 2020. O Festival Verão Sem Censura vai, segundo o secretário, acolher “todas as peças censuradas pelo governo federal”.

O diretor do filme que seria exibido (A Vida Invisível), Karim Aïnouz, também estava presente. O filme foi vencedor da mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes, e é o selecionado do Brasil para representar o País entre as indicações ao Oscar.

O produtor Rodrigo Teixeira compartilhou que uma exibição para membros da Academia, também nesta sexta, foi “ótima”. “Se esse Oscar vier, vai ser um tapa na cara de um governo que não acredita na cultura”, disse o produtor.

Aïnouz também criticou o governo federal, que chamou de “covarde”, e lembrou de artistas que lutaram contra a ditadura militar no Teatro Municipal, como Walmor Chagas e Cacilda Becker, além de ter mencionado os nomes de Mario de Andrade, Conceição Evaristo, Carolina de Jesus e Preta Ferreira.

O prefeito Bruno Covas disse ainda que os recursos de incentivos municipais à cultura serão dobrados na próxima lei orçamentária. Covas disse que ele e a secretaria também estão trabalhando na elaboração de uma política de incentivo à produção audiovisual na cidade. “É uma vocação da cidade”, disse Covas.

Guilherme Sobota, O Estado de São Paulo