Sem dar detalhes, Bolsonaro admite que pode privatizar a Petrobras

Sem dar detalhes, Bolsonaro admite que pode privatizar a Petrobras

Candidato à Presidência Jair Bolsonaro na GloboNews – Reprodução / Reprodução

RIO — Sem responder diretamente a nenhuma pergunta sobre economia e se dizendo vítima de “pegadinhas” ao ser perguntado sobre temas do setor, o pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, falou ontem, pela primeira vez, sobre a possibilidade de privatizar a Petrobras. O deputado federal disse que a empresa poderá ser vendida caso não seja encontrada uma solução para o aumento no preço do óleo diesel, que provocou a greve dos caminhoneiros em maio. Ele não detalhou como faria a operação.

Em entrevista à GloboNews, na noite de ontem, Bolsonaro defendeu que o preço do combustível não pode flutuar livremente.

— O preço do combustível não pode continuar como está aí. Acabei de ver o lucro monstruoso da Petrobras. Ninguém quer dar canetada, mas pelo que me consta, não sei se é verdade, a Petrobras coloca 150% de majoração no óleo diesel. Será que não pode ser menor um pouco esse percentual? Vamos quebrar a população para atender a interesses outros da Petrobras, como pagar dívida? Não pode ser. Se não tiver solução, sugiro a privatização da Petrobras — disse o presidenciável.

Em seguida, ao ser questionado novamente sobre a medida, Bolsonaro se contradisse e afirmou que, “internamente”, não é a favor da privatização. Ele defendeu que Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios permaneçam sob o comando do governo e evitou se posicionar sobre quais impostos deixariam de existir em um eventual governo.

— Poxa, você quer discutir o básico dos impostos? Quer discutir procedimentos médicos, não vou ter como responder. Não vou particularizar, porque não tem nada de concreto ainda. No plano de governo, vai ser apresentado. Quem está com a mão na massa não sou eu, são eles. Estou entendendo a pegadinha. Querem me rotular de uma coisa que não sou, de irresponsável e sem bom senso. Não vou aceitar esse jogo de vocês (jornalistas). É uma coisa que está em gestação, quero explicar lá na frente.

Ao ser questionado sobre o que faria em caso de rompimento com o economista Paulo Guedes, o presidenciável ironizou a jornalista Míriam Leitão.

—Vamos supor que a gente vai se casar, e alguém pergunta para a senhora: “E se não der certo e o Bolsonaro negar fogo. Qual seria seu plano B?”

CONTRA LEI DO FEMINICÍDIO

O pré-candidato também se disse contra a lei do feminicídio.

— Qual é a diferença de matar pai ou mãe? Não tem que ter lei do feminicídio. Se matou sem motivo, o cara tem que puxar 30 anos de cadeia

quando foi perguntado sobre comércio exterior, o que faria nas relações comerciais com Estados Unidos e China, principalmente, o presidenciável reconheceu dificuldades no tema:

— Fui à Câmara de Comércio Brasil Estados Unidos e me senti nu. Eu tenho dificuldade, pelo nível deles, mas o pessoal gostou de mim.

Bolsonaro também reconheceu que o candidato a vice em sua chapa virá do PSL. O presidenciável tentou atrair o senador Magno Malta (PR-ES) e, depois, o general da reserva Augusto Heleno (PRP). Os partidos, no entanto, tomaram outros caminhos: o PR vai apoiar o tucano Geraldo Alckmin, enquanto o PRP está na coligação de Alvaro Dias (Podemos).

— O meu vice vai ser do PSL. Ou a (advogada) Janaína (Paschoal) ou o o príncipe Philippe (de Orleans e Bragança). Estou conversando com a Janaína, ela apresenta alguns problemas familiares. Nessa situação não posso ter preferência. No momento, o plano B é o príncipe.

Em outro momento, ao ser indagado sobre a tentativa de se aliar ao PR, cujo principal líder é Valdemar Costa Neto, que foi preso no mensalão, ele minimizou a presença de Valdemar. — Você casou com a maria, vem o João de cunhado. O meu cunhado seria o Valdemar Costa Neto.

O Globo