João Pessoa 21/02/2019

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Senadores querem instaurar CPMI para apurar tragédia em Brumadinho

Senadores se articulam para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de apurar as causas do rompimento da barragem da Mina Feijão, em Brumadinho (MG), na última sexta-feira (25/1). A intenção, segundo eles, é “evitar novas catástrofes”.

Os parlamentares prometem coletar as assinaturas necessárias para dar início às investigações assim que começarem os trabalhos no Congresso Nacional, na semana que vem. As cerimônias de posse, tanto dos deputados quanto dos senadores, estão marcadas para sexta-feira (1º/2).

De acordo com os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que organizam o movimento, já existe um acordo entre os parlamentares para reunir o mínimo de assinaturas necessárias para tirar a CPMI do papel, ou seja, 27 no Senado e 171 na Câmara.

Segundo Alencar, a Vale Mineradora “dominou Minas Gerais, tornando o estado refém e teria manipulado na concessão de laudos técnicos para construção dessas barragens”. “É preciso responsabilizar pessoas físicas. Quais órgãos são responsáveis? Quem assinou o laudo para matar essas tantas pessoas?”, disparou.

No fim de semana, o senador Randolfe Rodrigues esteve em Brumadinho e participou de reuniões com ambientalistas e com o Ministério Público Federal em Minas Gerais. O parlamentar quer apoio não só para a CPMI, mas também para um projeto de lei de sua autoria que torna hediondo crime ambiental que resulte em morte.

Plano B
Caso as assinaturas na Câmara não cheguem ao mínimo necessário, os senadores prometem ao menos instalar uma CPI no Senado. “A situação de Minas é uma bomba-relógio. Aconteceu em Mariana, aconteceu em Brumadinho, pode acontecer em outras, e isso precisa de uma investigação mais detalhada por parte do Congresso Nacional”, completou Randolfe.

Senador pelo Distrito Federal, Reguffe (sem partido) disse que ainda não foi procurado para discutir a instalação da CPMI, mas promete assinar a lista caso isso realmente ocorra.

Desastre
A barragem Mina Feijão, em Brumadinho (MG), rompeu-se por volta das 13h de sexta-feira (25). O vazamento de lama fez com que uma outra barragem da Vale transbordasse. O restaurante da companhia foi soterrado. O prédio administrativo também foi atingido.

A lama se espalhou pela cidade, e moradores precisaram deixar suas casas. Equipes de bombeiros e da Defesa Civil foram mobilizadas para a área e estão em busca de vítimas. Tanto o governo federal quanto o local montaram gabinetes de crise e deslocaram autoridades para a região. Até agora 60 mortes foram confirmadas e 19 identificados.

Metrópóles