Serviços perderam 2,4% de receita no primeiro ano da crise

01-08-2014 – São Paulo – Brasil – Telefonia no brasil em Pleno crescimento. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

No primeiro ano da crise, o setor de serviços não financeiros gerou R$ 1,4 trilhão de receita operacional líquida, uma queda de 2,4% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa Anual de Serviços 2015, divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A perda foi puxada pelo desempenho do segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, onde a queda na receita alcançou 4,2%. Por outro lado, a receita operacional líquida das atividades de ensino continuado cresceu 8,7%, em termos reais. Segundo o IBGE, a atividade foi impulsionada pela deterioração no mercado de trabalho. O aumento do desemprego levou as pessoas a investirem mais em qualificação profissional.

Em 2015, o país tinha 1,287 milhão de empresas de serviços, que geraram R$ 856 bilhões de valor adicionado bruto. O setor empregava 12,7 milhões de pessoas, que receberam R$ 315,0 bilhões de salários, retiradas e outras remunerações. O número de postos de trabalho, porém, recuou 2,3%, ou seja, 304.521 empregados foram demitidos. O segmento Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi responsável pela maior parte da receita operacional líquida, uma fatia de 29,3%. Na análise por atividades, as empresas de telecomunicações foram as líderes na geração de receita, com 11,3% do total. A ocupação média no setor de serviços foi de 10 pessoas por empresa.

O segmento dos Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio concentrou as empresas de maior porte, com cerca de 14 pessoas ocupadas por empresa. Já os segmentos de atividades imobiliárias e de serviços de manutenção e reparação tinham a menor média de funcionários, de quatro ocupados por empresa. Os trabalhadores do setor de serviços recebiam um salário médio mensal de R$ 1.911 em 2015. O resultado significa uma redução de 4,6% no rendimento médio mensal, já descontados os efeitos da inflação. O segmento de informação e comunicação teve a média salarial mais alta naquele ano (R$ 3.831), enquanto os serviços prestados principalmente às famílias eram os que pagavam menos aos funcionários (R$ 1.178).

Os serviços profissionais, administrativos e complementares concentraram a maior parcela do pessoal ocupado (40,0%) e da massa salarial (35,9%). A atividade de telecomunicações perdeu mais de cinco pontos percentuais de peso na receita operacional líquida do setor de serviços. A pesquisa abrange os anos de 2007 a 2015, quando o setor deixou de responder por 18,9% da receita e caiu para 11,3%, o que não alterou sua posição como setor que mais gerou receita em 2015. No último ano pesquisado pelo IBGE, a receita da atividade foi de R$ 162 bilhões, valor inferior ao registrado nos anos de 2014 e 2013, segundo a Pesquisa Anual dos Serviços (PAS).

O gerente do estudo, Luiz André Paixão, destacou que inovações tecnológicas como serviços de streaming e aplicativos de comunicação gratuita impactaram o setor. “São serviços pelos quais as empresas tiveram dificuldades de cobrar, como o whatsapp. Antes, as chamadas eram cobradas. A inflação de telecomunicações foi muito abaixo da economia como um todo”, disse. A segunda atividade que mais contribuiu com a receita total dos serviços foi o transporte rodoviário de cargas, que aumentou sua participação de 9,7% para 10,8%, de 2007 a 2015.

Os serviços técnico-profissionais caíram da segunda colocação em 2007 para a terceira em 2015, quando responderam por 10,7% da receita operacional líquida do setor. Com peso de 7,7%, os serviços de alimentação ocuparam a quarta colocação em 2015, com uma alta de mais de dois pontos percentuais em relação a 2007. Sede de mais da metade das empresas do setor (58%), a região Sudeste continua a ter o maior peso na receita bruta dos serviços, com 64% de tudo o que foi gerado no país.

O percentual é menor do que o anotado em 2007, quando era de 67,1%, e acompanhou o comportamento dos principais indicadores, que mostraram um crescimento no Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Em 2015, o Sul concentrava 21,9% das empresas, 16,7% dos empregos e 15,1% da receita bruta do setor de serviços. Terceiro colocado, o Nordeste tem 11,1% das empresas, 15,2% dos empregos e 10,5% da receita, enquanto para o Centro-Oeste esses percentuais são 7,5%, 7,8% e 7,6%. A região Norte aumentou seu peso no setor de serviços nacional entre 2007 e 2015. O número de empresas se manteve em 1,5% do total, assim como o pessoal ocupado continuou em 2,9%. A receita bruta caiu de 2,9% do total para 2,8%.