Soldado americano se declara culpado por caso WikiLeaks e diz que queria ‘abrir debate’ sobre a guerra - :: Paraiba Urgente :: Portal de Notícias

Soldado americano se declara culpado por caso WikiLeaks e diz que queria ‘abrir debate’ sobre a guerra

Falando rapidamente e com pouca emoção, o soldado americano Bradley Manning, de 25 anos, se declarou culpado nesta quinta-feira por dez das 22 acusações imputadas pelo Exército americano, por fornecer documentos secretos para o site WikiLeaks. Foi a primeira vez que Manning admitiu diretamente o vazamento de material.

A estratégia da defesa – aceita pela juíza Denise Lind – de que seu cliente se declare culpado por parte das denúncias, garante a Manning uma pena de 20 anos de prisão, mas pode evitar que ele seja condenado à prisão perpétua – caso o tribunal o considere culpado por ajudar o inimigo, a mais grave das acusações, e na qual ele se declarou inocente.

Sentado diante de uma juíza militar nesta quinta-feira, o franzino soldado de Oklahoma leu uma declaração de 35 páginas por mais de uma hora. Ele insistiu que foi ao site por “vontade própria” e sem “sofrer pressões” de nenhum tipo. E considerou que as informações causaram mais vergonha que dano ao país.

– Eu acreditava que, se o público em geral, especialmente o americano, tivesse acesso a este tipo de informação, isso poderia desencadear um debate nacional sobre o papel dos militares e sobre a nossa política externa em geral. (…) Ninguém associado à WikiLeaks me pressionou a enviar mais informações. Assumo total responsabilidade – disse.

Além de milhares de documentos confidenciais, a acusação diz que Manning enviou mais de 250 mil telegramas diplomáticos ao site, especializado em publicar informações secretas, enquanto trabalhava como analista de inteligência em Bagdá, entre 2009 e 2010. Para o governo americano, o vazamento de informações ameaçou fontes militares e diplomáticas, além de abalar as relações com outros governos.

Manning afirmou ainda que não achava que as informações poderiam prejudicar os EUA e decidiu enviá-las porque estava incomodado com o comportamento americano das guerras no Afeganistão e no Iraque e com o descaso aparente das tropas com as vidas de cidadãos comuns.

O soldado contou ainda, diante da surpresa dos jornalistas presentes na audiência, que antes de oferecer os documentos ao Wikileaks tentou passá-los aos jornais “New York Times” “Washington Post“. Nenhum dos dois o levou a sério.

A juíza Lind ainda não aceitou formalmente a admissão de culpa. Procuradores militares podem ainda acusar o soldado de mais 12 crimes.

O Globo