Soltura de Lula: leia a opinião de nossos colunistas

O ex-presidente Lula discursa após sair da carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Foto: Rodolfo Buhrer/REUTERS

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi libertado na sexta-feira, 8, da prisão em Curitiba, onde estava desde 7 de abril do ano passado, um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a possibilidade de execução da pena após condenação em segunda instância.

Confira a opinião dos colunistas do Estado sobre a soltura de Lula:

Eliane Cantanhêde: Bolsonaro passa a ter algo novo, a oposição

O ex-presidente Lula já saiu da prisão chamando o presidente Jair Bolsonaro para briga. Depois de correr solto neste seu primeiro ano de governo, digladiando contra a mídia e inimigos imaginários, Bolsonaro passa, portanto, a ter finalmente oposição. E não uma oposição qualquer. O que ainda não está claro é em que arena esse embate vai ocorrer.

Vera Magalhães: Soltura de petista vai exacerbar extremos estridentes

Lula solto – e não livre, como se tenta falsamente vender na narrativa triunfalista montada pelo PT – vai exacerbar a polarização entre os extremos estridentes da sociedade: de um lado, bolsonaristas revoltados clamando pelo fechamento do STF e, de outro, viúvas do lulopetismo ignorando que Lula foi condenado em duas instâncias e teve a condenação confirmada pelo STJ por crime comum. Graças à revisão do Supremo Tribunal Federal a respeito do momento do cumprimento da pena no Brasil, o País volta imediatamente ao momento maior de conflagração entre antípodas políticos, que levou à eleição de Jair Bolsonaro no ano passado. Leia mais

Coluna do Estadão: Narrativa do ‘Lula-Mandela’ só cola nos convertidos

Apesar de a nova narrativa disponível na praça tentar transformar Lula no “Mandela brasileiro”, capaz de unir o País, os petistas mais lúcidos sabem que ela não irá prosperar: a polarização que Lula ajudou a fomentar não cedeu um milímetro após ele ter sido preso, pelo contrário, o ex-presidente não passa no “teste das ruas” ou “dos aeroportos” sem ser hostilizado. Por isso, a retórica do “homem cordial” e do “Lulinha paz e amor” só vai colar mesmo na bolha dos convertidos, avaliam. Fora dela, a estratégia será de enfrentamento e radicalização.

Estadão