Sonho da casa própria está mais distante

Sonho da casa própria está mais distante

minha casa difícilCerca de 11 mil contratos de compra de imóveis na planta foram cancelados entre dezembro de 2015 e fevereiro deste ano, segundo a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias.

O número tem como base os dados de 14 grandes incorporadoras do país e representa um aumento de 5,1% em relação ao mesmo período de 2014 a 2015.

O presidente da Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências, Marco Aurélio Luz, cita como motivo para as desistências “o desemprego e o forte aumento do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)”, taxa usada pelas construtoras para reajustar valores dos empreendimentos.

O analista Arnaldo Martins, por exemplo, comprou um imóvel em 2012, mas, quando chegou a hora de pagar pelas chaves, foi surpreendido com o aumento da dívida.

“O meu problema estava sendo exatamente a valorização do INCC em três anos. De R$ 250 mil, o apartamento pulou para R$ 300 mil”, conta Martins. “Fui para tentar essa diferença com a construtora, mas ela disse que o máximo que poderia ser feito era colocar todo o valor devedor para o financiamento”, explica ele, que não conseguiu financiar o imóvel.

Com o cancelamento, a construtora disse a Arnaldo que devolveria 75% que ele já havia pago pelo apartamento, fora a taxa de corretagem, que sozinha era de R$ 15 mil.

Marcelo Tapai, advogado especializado em direito imobiliário, explica que a Justiça tem decidido que, nesses casos, os compradores têm o direito de receber entre 85% e 90% dos valores pagos.

“As construtoras chegam a falar em retenção de 70, 80% dos valores pagos. Há empresas que dizem que não vão devolver nada para o cliente e algumas chegam ao absurdo de dizer que o cliente, além dos valores que já foram pagos, também  teriam que pagar uma multa”, diz o advogado. “Isso é absolutamente ilegal”.

Quando o cancelamento do contrato é responsabilidade da empresa, caso da entrega com atraso, a devolução deve ser integral.

Band