Os irmãos Chérif e Said Kouachi, suspeitos de matarem 12 pessoas em ataque terrorista à revista “Charlie Hebdo”

Suspeitos de ataque a revista são localizados pela polícia ao norte de Paris

terroristas suspeitosIrmãos Saïd e Chérif Kouachi são suspeitos de ataque à redação do semanário “Charlie Hebdo”. Terceiro suspeito, Hamid Mourad se entregou à polícia na noite desta quarta-feira – 

PARIS — Os irmãos Chérif e Said Kouachi, suspeitos de matarem 12 pessoas em ataque terrorista à revista “Charlie Hebdo”, teriam sido localizados nesta quinta-feira pela polícia na região de Aisne, ao norte de Paris. Enquanto a polícia realiza uma megaoperação de caça para encontrar os atiradores, sete pessoas foram detidas em conexão com as investigações e uma policial foi morta em uma troca de tiros no Sul da capital francesa, elevando ainda mais as tensões na França. As autoridades declaram dia de luto nacional nesta quinta-feira e todas as bandeiras foram hasteadas a meio mastro em edifícios públicos. Às 12h (hora local), o país manteve um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da publicação satírica, alvo do segundo atentado em um pouco mais de três anos.

Um terceiro jovem relacionado ao atentado se entregou à polícia à noite. Hamyd Mourad, de 18 anos, suspeito de ter dirigido o carro no qual os dois atiradores fugiram, se apresentou a uma delegacia em Charleville-Mézères, a 230 quilômetros a noroeste de Paris, por volta das 23h, depois de ver seu nome circulando nas redes sociais. Além de Mourad, cunhado de um dos suspeitos, uma segunda pessoa teria sido detida em Charleville-Mézière, outras quatro em Reims e uma em Genevilliers. Há homens e mulheres no grupo.

Mais de três mil policiais buscam os suspeitos desde meio-dia de quarta-feira (hora local), na maior operação antiterrorista lançada nas últimas décadas na França.

Chérif Kouachi, de 32 anos, conhecido como Abu Issen, estava no centro das atenções da polícia desde 2008, quando foi condenado a três anos de prisão por pertencer a uma célula de recrutamento de jihadistas. Tanto ele quanto seu irmão Said, de 34 anos, nasceram na França.

Entre 25 de maio e 11 de outubro de 2010, Chérif foi novamente detido por suspeita de participação no projeto de fuga da prisão d eum dos cérebros da vaga de atentados de 1995, o argelino Smaïn Ait Ali Belkacem.

— Estes indíviduos eram, sem dúvida, vigiados, mas não há risco zero — acrescentou Manuel Valls. — O serviço de polícia e de Justiça desmantelou numerosos grupos, atrapalhou projetos de atentado. É uma prova de que agimos. Centenas de indivíduos são vigiados, dezenas de pessoas foram intimidas, dezenas de pessoas foram presas. Isto mostra a dificuldade que enfrentam nossos serviços: o número de indivíduos que representam uma ameaça.

SUSPEITOS DEIXARAM IDENTIDADE EM CARRO

O Ministério do Interior informou que a identificação foi possível porque os suspeitos deixaram em um dos carros usados para a fuga após o ataque o documento de identidade de Said. A polícia divulgou na madrugada desta quinta-feira cartazes com fotografias de ambos os suspeitos e pediu cooperação dos cidadãos para encontrá-los, dizendo que os dois estão “armados e são perigosos”.

As medidas de segurança continuam sendo reforçadas em Paris e nas principais cidades francesas nesta quinta-feira. Na capital, 400 policiais e soldados foram deslocados para incrementar a vigilância em centros públicos e edifícios turísticos.

O presidente François Hollande receberá Nicolas Sarkozy, presidente do principal partido da oposição, a União por um Movimento Popular (UMP), a fim de coordenar atos de condolência e protestar contra o ataque que chocou a França e o mundo.

Os supostos autores do ataque, um dos piores na História da França, entraram na quarta-feira na sede da revista vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis gritando “Allahu akbar” (“Alá é o maior”).

Provocadora e de extrema-esquerda, “Charlie Hebdo” é alvo de críticas por suas charges, reportagens e piadas polêmicas. O veículo já sofreu graves consequências por suas críticas ácidas ao Islã. Sua sede foi alvo de um incêndio criminoso em novembro de 2011, após a revista ter publicado uma imagem do profeta Maomé em sua capa.

Após o atentado, o governo francês elevou ao máximo o nível de alerta de terrorismo e mobilizou três mil policiais para caçar os atiradores. Ao mesmo tempo, foram reforçadas as medidas de segurança nos meios de comunicação.

Entre os 12 mortos do ataque estão o diretor da “Charlie Hebdo”, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, e alguns dos cartunistas mais famosos da França — Georges Wolinski, Jean Cabut e Bernard Verlhac, que assinava como Tignous.

POLICIAL MORRE EM TROCA DE TIROS

O tiroteio que matou uma policial ocorreu nesta manhã em Montrouge, no sul de Paris. Ela tinha 35 anos. Por volta das 8h10 (hora local), à altura do número 101 da rua Pierre Brossolette, um homem saiu de um veículo e começou a disparar. O atirador está em fuga.

Testemunhas afirmaram que o atirador estava encapuzado, e conduzia um veículo Clio branco. O carro foi localizado depois pela polícia. O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, esteve no local. Por enquanto, as autoridades não estabelecem nenhuma relação do incidente de hoje com a tragédia na “Charlie Hebdo”.

O Globo