Temer diz que queixa da indústria a aumento de tributo é natural

Um dia depois de anunciar aumento de PIS/Cofins sobre combustíveis e de afirmar que a população compreenderia a elevação da carga tributária, o presidente Michel Temer disse que entende a reação negativa das indústrias e que “aos poucos todos compreenderão, a Fiesp inclusive”.

“É natural (haver) essas relativas incompreensões. A Fiesp sempre fez uma campanha muito adequada contra o tributo”, destacou, em rápida entrevista após a foto oficial da 50ª Cúpula do Mercosul, evento que ocorre em Mendoza, na Argentina.

Pato gigante - Fiesp

Pato gigante é colocado em frente ao prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista, região central da cidade, em protesto contra a alta de impostos sobre combustíveis – 21/07/2017 (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

Nesta sexta, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) voltou a expor o pato amarelo inflável, um dos principais símbolos de manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), em sua sede em São Paulo, na Avenida Paulista. Na véspera, o presidente da entidade, Paulo Skaf, se disse “indignado” com a medida. Para ele, a elevação de tributos deve agravar a crise num momento em que a economia dá sinais de recuperação.

Temer rechaçou a possibilidade de a postura da classe empresarial ter alguma reação política, afetando a sua base de apoio. “Nenhuma, é natural reação econômica, ninguém quer tributo, mas quando todos compreenderem que é fundamental para incentivar o crescimento, manter a meta fiscal, para dar estabilidade ao país e para não enganar, não produzir nenhum ato governativo que seja enganoso ou fantasioso, para o povo, esta matéria logo será superada”, disse.

Questionado se a elevação de PIS/Cofins seria suficiente para manter o ajuste ou se o governo pode anunciar mais elevação da carga tributária, Temer afirmou que “não há previsão” de novos aumentos de impostos. “Por enquanto, estamos atentos, a equipe econômica está atenta a isso apenas para esse aumento. Não sei se haverá necessidade ou não, mas naturalmente haverá diálogo e observações sobre isso”, afirmou.

Temer voltou a dizer que quando assumiu o governo havia a expectativa da recriação da CPMF e ele conseguiu não reeditar o tributo. “Vocês se recordam quando eu cheguei, nós estávamos com o signo da CPMF, todos achavam que nós iríamos restabelecer a CPMF, não o fizemos durante mais de catorze, quinze meses”, afirmou. “E agora, exata e precisamente para manter o crescimento, para incentivar o crescimento, para manter a meta fiscal, foi indispensável que fizéssemos o aumento relativamente a PIS/Cofins apenas ao combustível”, completou.

O presidente salientou que o aumento anunciado nesta quinta-feira não é geral, atinge apenas o setor de combustível. “A CPMF seria algo que apanharia todos os depositantes de bancos, e eu compreendo a reação da Fiesp, reação mais do que razoável”, reforçou.

(Com Estadão Conteúdo)