Tiroteio na Rocinha deixa clima tenso nos arredores da comunidade

Um novo tiroteio foi registrado na manhã desta sexta-feira (22) na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio e deixou o clima tenso nos arredores da comunidade. No último domingo (17), a região foi palco de um intenso tiroteio entre criminosos, que disputam o controle do tráfico na região.

Ao longo da semana, policiais fizeram uma série de operações na Rocinha e outras comunidades. Uma delas, conduzida pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar, acontecia desde as primeiras horas desta manhã. No entanto, até as 10h não havia informação se o novo tiroteio, que começou por volta de 9h30, era entre policiais e traficantes.

Por volta das 10h, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que, por conta de operação policial, a Autoestrada Lagoa-Barra foi fechada entre o Fashion Mall (desvio) e a Praça Sibelius. A autoestrada é a principal ligação entre a Zona Sul e a Zona Oeste da cidade.

Fortes rajadas de tiros eram ouvidas nos arredores da comunidade. Muitas pessoas se alojaram na 11ª DP (Rocinha). O repórter Pedro Figueiredo, da TV Globo, estava fazendo uma reportagem sobre a quinta operação policial em cinco dias na comunidade quando foi avisado pela PM que também deveria se abrigar na delegacia.

Durante o tiroteio, um ônibus foi incendiado na Estrada da Gávea. A informação é de que o ato foi criminoso, segundo o repórter Pedro Figueiredo.

Ônibus foi incendiado na Estrada da Gávea, na altura da Rocinha; a informação é de que o ato foi criminoso (Foto: Reprodução/Facebook)

Dias de tensão

clima de guerra na Rocinha começou no último domingo (17), quando traficantes invadiram a comunidade para tomar de um grupo rival o controle da venda de drogas.

A polícia não interveio no dia, e houve um intenso tiroteio que deixou dois mortos, aterrorizou os moradores e danificou instalações de energia e distribuição de água. Unidades de saúde ficaram fechadas, e estudantes chegaram a perder a prova da Uerj devido ao risco de circularem pela comunidade. Os traficantes chegaram a usar as lajes das casas para fazer os disparos.

Os ataques à Rocinha tiveram como principal mandante o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Atualmente, a favela é dominada pelo traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, um dos presos pela invasão ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2010, e libertado em janeiro de 2012 por uma decisão da Justiça.

Os confrontos atuais se deram por um racha na aliança entre os traficantes Nem e Rogério 157. A briga começou com a morte de Ítalo de Jesus Campos, conhecido como Perninha, a mando de Rogério 157, em agosto passado. O bandido também havia sido preso em 2010 pela invasão ao hotel. Foi solto pela mesma decisão judicial que beneficiou Rogério 157 em 2012.

Ao longo desta semana, a polícia fez uma série de operações na Rocinha e outras comunidades para prender traficantes e apreender armas e drogas. A Polícia Civil oferece recompensa de R$ 30 mil por informações que levem à captura de Rogério 157.

Nesta quinta, as equipes do Bope conseguiram apreender dois fuzis, duas pistolas, três granadas, farta munição e drogas na Rocinha. No mesmo dia, novos tiroteios foram registrados na comunidade.

Cartaz de procurado de Rogério 157 do Disque-denúncia (Foto: Divulgação/Disque-denúncia)Cartaz de procurado de Rogério 157 do Disque-denúncia (Foto: Divulgação/Disque-denúncia)

Cartaz de procurado de Rogério 157 do Disque-denúncia (Foto: Divulgação/Disque-denúncia)