João Pessoa 25/04/2019

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Três policiais do Bope são denunciados por morte de tenente, durante operação

Testemunhas relaram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE), por meio da 13ª Promotoria de Justiça Criminal, denunciou os policiais militares Lucélio Gomes Jacinto, Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino, por homicídio triplamente qualificado praticado contra o 2º tenente PM Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, em maio de 2017, durante uma operação.

A motivação do crime, conforme o MPE, foi evitar que a vítima adotasse medidas contra os denunciados que pudessem resultar em responsabilização e até mesmo eventual perda da farda, por desvio de conduta durante a ação policial. Na época, os militares procuravam suspeitos de roubo na modalidade “novo cangaço”.

Consta na denúncia que o tenente Scheifer foi atingido por um disparo frontal efetuado pelo próprio colega de farda, na região abdominal, em um local que havia sido, no dia anterior, palco de confronto entre policiais e suspeitos de roubo.

O conflito

Segundo o Ministério Público, os fatos começaram com a perseguição da viatura da polícia, cuja equipe estava sob o comando da vítima, a dois automóveis, sendo um veículo Nissan Frontier e o outro um automóvel Mitsubishi L-200 Triton com indivíduos suspeitos da prática de crimes de roubo. Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram efetuando vários disparos contras os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou em êxito no dia seguinte, com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas. Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado como Agnailton Souza dos Santos, foi preso.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre / Tenente Scheifer é enterrado sob comoção, em Cuiabá

Consta na denúncia que, a partir das informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer fez um cerco policial a um imóvel em um bairro na cidade de Matupá, para prender outros suspeitos. Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado evadir-se do local e foi atingido por um disparo de fuzil efetuado pelo cabo PM Lucélio Gomes Jacinto, vindo a óbito.

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, tenente Scheifer, e o denunciado CB PM Lucélio Gomes Jacinto, pois há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido BO, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza.

Segundo ele, testemunhas relaram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido a portas fechadas para conversar sobre o ocorrido.

Morte do Scheifer

No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, o tenente Scheifer foi atingido por disparo de arma de fogo na região abdominal.

Inicialmente, conforme o Ministério Público, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo efetuado por suspeito não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia. Após a realização do laudo pericial ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo Cabo PM Lucélio Gomes Jacinto.

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o tenente Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado CB PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do tenente Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro “vietnamita” (uma forma de posição de ataque)”, sustentou.

(Com assessoria)