UE: ‘Grécia fracassou em entregar plano prometido’

Grecia fracassouA chanceler federal alemã, Angela Merkel, conduz os líderes do G-7 à reunião de cúpula

GARMISCH-PARTENKIRCHEN, Alemanha — Num sinal de que as relações entre Atenas e seus credores internacionais podem estar à beira da ruptura, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse neste domingo que o premier grego, Alexis Tsipras, fracassou em entregar as reformas econômicas que prometera à chamada troika — formada por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE).

Na cidade alemã de Garmisch-Partenkirchen, onde participa da cúpula do G-7, Junker disse que Tsipras deve oferecer “alternativas rapidamente” para que as negociações possam continuar nesta semana. E, desmentindo rumores de que havia se recusado a conversar com o líder grego pelo telefone no sábado, ele disse ainda considerar o premier um amigo. Mas fez uma ressalva.

— Amigos têm que observar regras mínimas. Temos uma limitação de tempo, e não se pode esperar que no último segundo alguém saque um coelho da cartola — afirmou Junker ao diário alemão “Süddeutsche Zeitung”.

Segundo o presidente da Comissão Europeia, Tsipras repassou de maneira equivocada as demandas dos credores ao Parlamento grego ao sugerir que seriam uma questão de “pegar ou largar”.

— Ele sabia perfeitamente bem que eu estava disposto a discutir os pontos principais do acordo — afirmou Junker.

Na sexta-feira, Tsipras classificara como “absurdas” as reformas propostas pela troika. E o clima tenso parece ter se agravado ainda mais. O minsitro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou a um diário grego que as exigências europeias eram “uma manobra agressiva para aterrorizar o governo grego, que não é passível de ser aterrorizado”.

Analistas acreditam que o risco de a Grécia entrar em default — e sair da zona do euro — aumentou substancialmente na última semana. A Comissão Europeia insiste para que Atenas aumente a tributação e corte salários do funcionalismo público e pensões antes de receber um socorro de € 7,2 bilhões. Atenas, por sua vez, comandada por um governo de esquerda, tem se oposto às medidas.

No início da semana, sem recursos, o governo grego já pedira o adiamento do pagamento de uma parcela de € 300 milhões ao FMI — parte de uma dívida total estimada em €1,6 bilhão.

Varoufakis contemporiza em blog

A escalada fez o ministro das Finanças da Grécia tentar dissipar a tensão. E pedir que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, faça aos gregos um “discurso de esperança”, para sinalizar que a Europa estaria pronta para terminar com as exigências por austeridade, similar ao discurso dado à Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial. Em um texto publicado em seu blog neste domingo, Yanis Varoufakis comparou a situação da Grécia com a da Alemanha no pós-guerra, quando o ex-secretário de Estado norte-americano James F. Byrnes viajou para Stuttgart para fazer o discurso histórico. O discurso em 1946 marcou um avanço em relação à política de punição pelos países que derrotaram a Alemanha e deu aos alemães a perspectiva de crescimento e recuperação, disse Varoufakis.

“Sete décadas depois é o meu país, a Grécia, que precisa dessa chance. Mais austeridade está sendo exigida de uma economia que está de joelhos, devido à dose mais pesada de austeridade que um país já experimentou em tempos de paz”, escreveu Varoufakis. “Nenhuma oferta de alívio da dívida. Nenhum plano para incentivar investimento. E certamente, até agora, nenhum ‘Discurso de Esperança’ para essas pessoas sofridas”, acrescentou.

O Globo