Uso da inteligência artificial nos tribunais é o grande desafio para a magistratura, diz candidata à presidência da AMB

Imagens: Walla Santos     

Renata Gil, candidata à presidência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), defende a adoção de soluções tecnológicas, como a inteligência artificial, como estratégia para ajudar na celeridade da Justiça. Em João pessoa nesta quinta-feira (31), ela se reuniu com o presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Márcio Murilo, desembargadores e magistrados do estado para debater algumas das principais pautas da categoria.

Em entrevista à imprensa, Renata Gil enfatizou que “a tecnologia ajuda muito na celeridade. É nisso que nós estamos investindo”. Ela explicou ainda que “o CNJ está investindo no sistema único, os tribunais estão desenvolvendo melhor os seus sistemas e a gente precisa trabalhar com a questão da inteligência artificial”.

Para Renata Gil, “esse é o desafio desse momento, não é do futuro não. É desse momento”. A magistrada, que é juíza no Rio de Janeiro há 21 anos, também comenta que “a tecnologia é um futuro que não tem volta. A gente vai ter que trabalhar com isso, inteligência artificial”.

Exemplificando a necessidade de trabalhar com a inteligência artificial, Renata Gil citou ataques de robôs que estão sendo direcionados aos sistemas de alguns tribunais. Estes ataques seriam ordenados por escritórios de advocacia com objetivo de ocasionar o mal funcionamento ou às vezes até o bloqueio do funcionamento dos sistemas de informática dos tribunais.

“Então essa é uma realidade que já existe, que a gente precisa trabalhar e melhorar. Agora, a figura humana do juiz é insubstituível. A atividade do juiz é interpretativa. Por mais que nós tenhamos sistemas que colaborem no perfil daquele magistrado, sempre vai depender de uma posição de pensamento humano que é baseada em algum fato da vida”, complementou.

De acordo com a magistrada Renata Gil, “no Poder Judiciário sempre vai ser muito importante o efetivo humano para que a gente consiga resolver as questões que são submetidas ao judiciário e a entrega da prestação jurisdicional para a sociedade”.

Questionada sobre qual seu posicionamento em relação à prisão em segunda instância, Renata Gil comentou que respeita o pensamento da maioria dos magistrados, de acordo com o que foi levantado em uma pesquisa de opinião feita entre os juízes. De acordo com ela, a pesquisa constatou que os magistrados consideram que existe um excesso de recursos e também sentem falta de efetividade de suas decisões.

“Nós ingerimos que a magistratura gostaria que o Supremo se posicionasse com relação à efetividade da prisão decorrente de decisão em segunda instância. Mas é importante que se diga que nós, como juízes brasileiros, respeitamos a decisão que o Supremo Tribunal Federal vai tomar e é nesse momento que ele está tomando essa decisão. Então, a independência dele está lá sendo guardada pela magistratura brasileira que cumprirá suas decisões”, afirmou a juíza.

Renata Gil é a primeira candidata mulher ao cargo de presidente da AMB em 70 anos de existência da associação. A juíza comentou que a sua chapa representa um movimento de integração nacional, considerando que 93% dos presidentes de associações de magistrados do país estão juntos com ela. Durante a campanha, foram visitados vários estados de todas as regiões do país. Renata comenta que “foi importante para que nós fortalecêssemos as nossas lideranças dentro dos seus estados e coletássemos todas as necessidades da magistratura nacional. Pelo tamanho do Brasil, um país de dimensões continentais, a gente tem realidades muito diferentes na justiça. Há juízes que viajam três dias de barco para chegar nas suas comarcas. Então, só visitando todos esses lugares nós podemos coletar as informações para uma representação, que é uma representação nacional. Muita responsabilidade”.

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